Pesquisa prova que o sono restaura e aumenta a memória

Numa descoberta que traz de volta o velho conselho maternal de que nada melhor que uma boa noite de sono, cientistas concluem que uma soneca tranqüila restaura lembranças que foram perdidas durante um dia agitado. Cientistas da Universidade de Chicago e da Escola de Medicina de Harvard treinaram jovens em idade colegial para executar tarefas específicas e, então, testaram quanto poderiam lembrar depois de oito horas de sono ou de várias horas acordados.O estudo descobriu que as pessoas testadas que ouviam o discurso de uma voz sintetizada lembravam de mais palavras, depois de uma boa noite de sono, do que as que foram testadas horas apenas depois do treinamento, sem ter dormido. Havia dois grupos, um era treinado a ouvir a voz sintetizada às 9 horas e testado 12 horas depois; o segundo, era treinado às 9 horas e só testado na manhã seguinte.Não é apenas uma questão de recarga física. Os pesquisadores dizem que o sono pode resgatar lembranças, num processo biológico profundo de armazenamento e consolidação delas no complexo circuito cerebral. A descoberta é uma das várias conclusões de dois estudos que apareceram, hoje, na revista Nature, mostrando como o sono afeta os processos de gravação de lembranças e, talvez, as protege.?Todos já tivemos a experiência de ir dormir com um problema e acordar com a solução?, diz Daniel Margoliash, um professor de neurobiologia da Universidade de Chicago.Margoliash, que trabalhou com os colegas Howard Nusbaum e Kimberly Fenn, diz que normalmente uma pessoa soma tantas lembranças durante cada dia que alguns detalhes se perdem nessa confusão, mas que o cérebro as classifica e reorganiza durante o sono. Ou recordações podem realmente se perder durante o dia, mas serem reconstituídas pelo cérebro durante o sono.Os cientistas que conduziram as experiências dizem que os resultados podem influenciar em como os estudantes aprendem e, algum dia, serem incorporados aos tratamentos de doenças mentais envolvendo a memória. Para outros cientistas, não envolvidos na pesquisa, são necessárias, porém, pesquisas adicionais para estabelecer a conexão entre memória e sono.

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