Pesquisa: transplante pode ter curado doente com HIV

Um transplante de sangue muito pouco comum aparentemente curou um norte-americano do vírus HIV, causador da aids. Os médicos advertem, porém, que esse não poderia ser um método para uso generalizado entre os portadores da doença.

AE, Agência Estado

15 de dezembro de 2010 | 17h27

O homem, na casa dos 40 anos e morador de Berlim, recebeu um transplante de células-tronco sanguíneas para tratar uma leucemia em 2007. Seu doador não somente era compatível, mas também tinha uma mutação genética que dava a ele resistência natural ao HIV. Agora, três anos depois, o receptor do transplante deixou de apresentar signos de leucemia e de HIV, segundo um estudo divulgado na revista científica Blood.

"Esta é uma prova interessante do conceito de que um paciente poderia ser curado do HIV com medidas extraordinárias", mas é demasiado arriscado para que se converta em uma terapia regular, inclusive se houvessem doadores compatíveis, disse o médico Michael Saag, da Universidade do Alabama, na cidade de Birmingham. Saag é ex-presidente da Associação Médica para o HIV, entidade de médicos especializados no tratamento da doença.

Os transplantes de medula óssea, ou mais comumente atualmente de células-tronco sanguíneas, são realizados para tratar o câncer e os riscos que representam para as pessoas saudáveis são desconhecidos. O procedimento implica destruir o sistema imune original dos doentes com medicamentos poderosos, para substituí-lo com as células do doador, a fim de criar um novo sistema imune. A mortalidade desse tipo de operações ou de suas complicações podem ser de 5% ou mais, disse Saag.

"Não podemos aplicar este método particular nos indivíduos saudáveis, pois o risco é muito alto", especialmente quando os remédios podem manter o HIV controlado na maioria dos casos, notou Saag. A menos que uma pessoa com HIV também tivesse câncer, não se consideraria um transplante, acrescentou ele. As informações são da Associated Press.

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