Pesquisas apontam guinada à direita na França

A menos de duas semanas das eleições presidenciais, as pesquisas na França indicam que a esquerda é claramente minoritária na preferência do eleitorado. Apenas os dois principais candidatos da direita, Nicolas Sarkozy, do partido do governo, e o centrista François Bayrou, como também Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, em quarto lugar nas pesquisas, já totalizam, os três juntos, mais de 60% das intenções de votos.Os partidos de esquerda na França vivem um momento de pânico. Não somente a extrema esquerda registra índices inferiores aos obtidos nas pesquisas anteriores ao pleito de 2002, como a candidata socialista, Ségolène Royal, segunda colocada nas pesquisas, com entre 22% e 24% das intenções de voto, vem recuando sucessivamente nas últimas sondagens.Nem mesmo o Partido Verde, num momento em que as questões em torno do aquecimento global estão no topo das discussões internacionais, consegue decolar nesta campanha.A candidata do partido, Dominique Voynet, tem apenas 2% das intenções de votos nas pesquisas. Nas eleições presidenciais de 2002, os candidatos ecologistas, que se inserem na esquerda, conseguiram mais de 7% dos votos no primeiro turno.De acordo com a mais recente sondagem, divulgada na segunda-feira, os partidos de extrema-esquerda - que, na França, incluem o Partido Verde nas suas filas - totalizam apenas 12,5% das intenções de voto. Esses mesmos partidos obtiveram há cinco anos quase 24% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais.´Voto útil´ Mas o que se observa nesta campanha é que a debandada do eleitorado da extrema-esquerda não está necessariamente beneficiando a candidata socialista, Ségolène Royal.Em 2002, muitos eleitores de extrema-esquerda se sentiram responsáveis pelo fraco desempenho nas urnas do socialista Lionel Jospin, que permitiu a Jean-Marie Le Pen, da extrema-direita, passar para o segundo turno.Mas apesar dos apelos do Partido Socialista para a necessidade do chamado ?voto útil?, ou seja, para o candidato com mais chances de eliminar os rivais da direita, os eleitores da esquerda não estão concedendo uma margem confortável para Ségolène Royal, que, ao contrário, vem perdendo entre um e dois pontos percentuais nas sucessivas pesquisas.Com o título ?A França vai à direita nessas eleições?, o jornal Libération desta terça-feira escreveu que a esquerda francesa registra atualmente seu nível mais baixo nas pesquisas nos últimos 30 anos.?A França está realmente muito voltada para a direita. Um candidato da direita, ex-ministro do Interior, não deveria estar assim tão forte nas pesquisas?, declarou recentemente, sem nenhuma modéstia, o candidato Nicolas Sarkozy, conhecido por ter reforçado a ação repressiva da polícia e a lei de imigração do país.Analistas estimam que esta guinada da França para a direita se deve ao fato de que os eleitores não estariam mais encontrando nos partidos de esquerda respostas adequadas para os problemas do desemprego, da perda do poder aquisitivo e do baixo crescimento econômico do país.O ex-jornalista do Libération e professor de ciências políticas Eric Dupin, autor do livro A Droite Toute (Virada Brutal à Direita, em tradução livre), diz que a sociedade francesa evoluiu, como na maioria dos países industrializados, na direção de um individualismo.Dupin também responsabiliza a própria esquerda pela situação atual, dizendo que ela entrou no ?terreno ideológico da direita?, o que contribuiu para a sua fraqueza atual.O slogan da campanha de Ségolène, ?ordem justa?, mistura um conhecido lema da direita - ordem - com a preocupação com justiça social, típica da esquerda.

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