EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

Pesquisas apontam que permanência da Grã-Bretanha na União Europeia ganha força

De acordo com a média das últimas seis pesquisas, voto pela permanência lidera com 53% contra 47% favorável à saída do país do bloco

O Estado de S. Paulo

26 Maio 2016 | 15h28

LONDRES - Uma série de pesquisas recentes dão uma vantagem clara à permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE), a quatro semanas para o referendo decisório. De acordo com uma média das últimas seis pesquisas estipulada na quarta-feira pelo instituto What UK Think, o lado "Remain" (permanência) lidera com 53% dos votos contra 47% para o voto do "Leave" (deixar).

Na terça-feira, o jornal Daily Telegraph observou, com base em uma pesquisa do instituto ORB, que até mesmo os conservadores e eleitores mais velhos - que há dois meses se diziam majoritariamente favoráveis à saída da UE - mudaram de lado.

"O campo da permanência continua a reforçar a sua posição (...) enquanto que o do Brexit tem perdido força por não conseguir acalmar os receios sobre as consequências financeiras e econômicas de uma saída do bloco", comentou no jornal o estrategista político Lynton Crosby, próximo do primeiro-ministro conservador David Cameron, que luta pela permanência no bloco.

O Tesouro britânico, o Banco da Inglaterra, o Fundo Monetário Internacional e até o presidente americano Barack Obama já se manifestaram a respeito e preveem consequências econômicas difíceis ao país em caso de saída da União Europeia.

"As pesquisas nos apontam sistematicamente à frente", comemorou esta semana James McGrory, porta-voz da campanha oficial para a manutenção no bloco, "Britain Stronger in Europe".

Do lado oposto, Nigel Farage, líder do partido eurocético Ukip, reagiu afirmando que "a estrada ainda é longa e que apenas um louco ousaria prever o resultado do referendo".

Contudo, para John Curtice, professor da Universidade de Strathclyde da Escócia, "a psicologia da campanha mudou" em favor do campo que defende a permanência. "Não está claro que chegamos a um ponto de inflexão", acrescentou.

Especialmente porque o espaço cada vez maior entre os dois campos foi acompanhado por uma mudança na metodologia de pesquisa utilizada pelos institutos. Há algumas semanas eles passaram a adotar preferencialmente o método de pesquisa por telefone, enquanto que anteriormente as realizadas pela internet eram a maioria.

Uma explicação proposta por John Curtice é que as pesquisas por telefone privilegiam as amostras que compreendem um maior número de diplomados. Estes, em sua maioria, querem ficar na União Europeia, assim como os jovens que são "culturalmente e economicamente confortáveis com a globalização e a imigração", um tema central da campanha.

As minorias étnicas também tendem a ser mais pró-UE, apesar das tentativas de sedução pró-Brexit, que lhes promete abrir mais portas para a imigração do subcontinente indiano se o país fechar suas fronteiras aos europeus.

Mas, como para os jovens, o desafio será o de levá-los a votar. "Estamos entrando em uma corrida pela participação", diz Matthew Goodwin, membro do centro de reflexão Chatham House, e cada lado tenta agora concentrar suas forças na mobilização dos eleitores. "Nesse referendo, agora é mais uma questão de mobilização do que de persuasão."

Imigração. A imigração para a Grã-Bretanha em 2015 atingiu seu segundo maior nível desde que os registros começaram a ser realizados, de acordo com dados oficiais divulgados nesta quinta-feira, 26.

O National Bureau of Statistics, em seu último relatório antes da votação sobre a permanência da Grã-Bretanha na UE, prevista para 23 junho, apontou que a imigração líquida atingiu 333 mil pessoas em 2015, o segundo nível mais alto em um período de 12 meses desde 1975.

Destes, 184 mil vieram da UE, onde existe liberdade de movimento entre fronteiras internas. /AFP e Reuters

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