AFP PHOTO / CHRIS J RATCLIFFE
AFP PHOTO / CHRIS J RATCLIFFE

Pesquisas mostram vantagem do 'sai' em referendo sobre permanência britânica na UE

Ao mesmo tempo, as casas de apostas informaram que a possibilidade de a Grã-Bretanha votar pela desfiliação da União Europeia cresceu acentuadamente e chegou a 36%

O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 18h01

LONDRES - A campanha que defende a desfiliação britânica da União Europeia ampliou sua vantagem sobre o campo do "fica" a dez dias do referendo que decidirá a questão, mostraram duas sondagens de opinião publicadas pela agência de pesquisa ICM nesta segunda-feira, 13.

De acordo com as pesquisas, uma pela internet e outra por telefone, o campo do "sai" tem 53% de apoio e a campanha pela permanência do país no bloco tem 47% de adesão, noticiou o jornal Guardian, que patrocinou a consulta telefônica.

Duas semanas atrás, os mesmos levantamentos mostravam 52% e 48% respectivamente, afirmou o Guardian. As duas sondagens excluíram entrevistados que responderam "não sei".

As pesquisas da ICM são as mais recentes a sugerir que a campanha do "sai" ganhou ímpeto, o que vem perturbando os investidores. Um levantamento divulgado na sexta-feira, que apontou uma dianteira de 10 pontos porcentuais para o "sai", aumentou a pressão sobre a libra esterlina e provocou uma alta recorde no custo do hedging que cobre as grandes oscilações da taxa de câmbio.

A ICM disse ter conversado com mil adultos por telefone e 2.001 adultos online entre os dias 10 e 13 de junho. 

Ao mesmo tempo, as casas de apostas informaram que a possibilidade de a Grã-Bretanha votar pela desfiliação da União Europeia cresceu acentuadamente hoje e chegou a 36%, o índice mais alto desde que o referendo do dia 23 foi anunciado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, quatro meses atrás. 

 

A probabilidade implícita de uma votação pela permanência caiu para 64%, uma queda de cerca de 14 pontos porcentuais em relação à última quinta-feira, quando a probabilidade era de 78%, segundo as cotações para apostas informadas pela casa Betfair.

As apostas mudaram depois que outra pesquisa de opinião, do instituto de pesquisa ORB para o jornal The Independent, também mostrou que o campo do "sai" está em vantagem, com 10 pontos à frente do campo do "fica".

A casa de apostas William Hill disse estar com sua cotação mais baixa - 7 para 4, ou uma probabilidade implícita de 36% - para a chance de uma votação pelo rompimento com o bloco.

Diante da possibilidade de os britânicos deixarem o bloco europeu ganhar cada vez mais força, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, reagiu e afirmou que se isso ocorrer, poderia ser o "fim" para a união de 28 países e para a civilização política ocidental, de modo mais geral. 

Em entrevista ao jornal alemão Bild, Tusk disse que a saída da Grã-Bretanha daria um grande estímulo para as forças radicais antieuropeias, que segundo ele estariam "bebendo champanhe".

"Porque isso é tão perigoso? Porque ninguém pode prever quais serão as consequências a longo prazo", disse Tusk. "Como historiador, temo que a saída da Grã-Bretanha possa ser o começo da destruição não apenas da UE, mas também da civilização política ocidental na sua totalidade." Tusk afirmou ainda que todos na União Europeia perderiam economicamente se a Grã-Bretanha sair.

O ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown assumiu hoje a liderança da campanha do Partido Trabalhaista a favor da permanência no bloco.

"O Reino Unido liderou a Europa contra o fascismo, criou a Convenção europeia de Direitos Humanos, liderou os esforços para persuadir o leste da Europa para se integrar à União Europeia. O Reino Unido sempre liderou quando as coisas estavam difíceis na Europa, e acredito que esse é o momento de voltarmos a ser líderes", disse ele à radio BBC. / REUTERS e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.