ANDINA / AFP
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Pesquisas colocam professor de esquerda e economista conservador no 2º turno da eleição no Peru

Com a apuração ainda em andamento, Escritório Nacional de Processos Eleitorais aponta o esquerdista radical Pedro Castillo e o direitista Hernando de Soto na liderança do pleito

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 07h17

No momento mais crítico da pandemia de covid-19, e ainda em meio à instabilidade política que assombra o Peru nos últimos cinco anos, os eleitores do país foram às urnas no último domingo, 11, para escolher seu novo presidente.

Com a apuração ainda em andamento, o professor de esquerda radical Pedro Castillo e o economista de direita Hernando de Soto lideram a corrida pelo segundo turno, previsto para ocorrer em 6 de junho. Ao todo, 18 nomes disputam a presidência peruana.

De acordo com um relatório parcial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), após a contagem de apenas 16% dos votos, Castillo aparece com 15,7% e Soto, com 14,4%.

Em terceiro lugar aparece o empresário ultraconservador Rafael López Aliaga com 13,1%, seguido por Keiko Fujimori (direita populista) com 12,1%.

A apuração oficial prosseguirá e a última palavras sobre os candidatos do segundo turno cabe ao Júri Nacional de Eleições (JNE), o que pode demorar quase um mês.

"Tudo deve estar resolvido, os que vão para o segundo turno, na primeira semana de maio", declarou o presidente do JNE, Jorge Luis Salas.

Ele também afirmou que os 130 parlamentares eleitos no domingo serão conhecidos na última semana de maio. As pesquisas apontaram que o novo Congresso serão tão fragmentado como o atual.

Campanha sem favoritismo

Até este domingo, a corrida eleitoral peruana não apresentava nenhum candidato como favorito. A liderança de Castillo, a partir do início da apuração, foi vista como surpreendente.

O esquerdista de 51 anos, que é professor e sindicalista, saiu do anonimato em 2017 ao liderar uma prolongada greve nacional e não apareceu por muito tempo entre os candidatos favoritos.

"Hoje o povo peruano acaba de tirar a venda dos olhos", disse Castillo, em sua cidade natal Cajamarca (norte), segundo a AFP.

Desde 2018, os peruanos tiveram quatro presidentes. O ápice da instabilidade política no país ocorreu  em novembro passado, quando o Peru teve três presidentes em cinco dias, o que gerou protestos que deixaram dois mortos e mais de 100 feridos. Desde então,  o país está sob o comando do presidente interino, Francisco Sagasti.

Apatia, desemprego e medo de contaminação

Neste contexto, a campanha deste ano foi marcada pela pandemia e pela apatia dos peruanos. O voto é obrigatório no país.

Em Lima, muitas pessoas votaram mais preocupadas com o risco de contágio pela covid-19 ou a falta de trabalho e renda do que com as eleições.

O Peru tem quase 55.000 mortes provocadas pela covid-19 e 1,6 milhão de casos. Reflexo da frágil situação de saúde, seis candidatos contraíram o coronavírus, três deles na última semana: George Forsyth, José Vega e Marco Arana.

Na semana passada, o país registrou média diária de contágios de 9.667 novos pacientes, o maior número em 13 meses de pandemia, e no sábado contabilizou o recorde de 384 mortes.

O conservador de Soto, que defende, por exemplo, que a iniciativa privada adquira vacinas contra a covid-19, classifica a margem entre ele e Castillo como "estreita". 

A diferença entre o sindicalista e o conservador, até esta segunda-feira, 12, é de 1,7%. "Nunca na história os porcentuais (dos candidatos mais votados) foram tão baixos, o que significa que aqueles que vão ao segundo turno devem conquistar pelo menos 70% restante", disse o analista Fernando Tuesta ao Canal N. /AFP

 

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