Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Pesquisas dão vitória a Obama em 2º debate

Estudos divulgados pelas redes CNN e CBS apontam vantagem apertada do presidente

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial a Hempstead e Gustavo Chacra, Correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h02

HEMPSTEAD, ESTADOS UNIDOS - O democrata Barack Obama superou a apatia do debate anterior e partiu para o ataque contra o republicano Mitt Romney na noite de ontem, durante o embate considerado decisivo para as eleições presidenciais do dia 6.

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Pesquisa da rede CNN/Washington Post indicou que 46% dos consultados apontaram ligeria vantagem de Obama no debate e 39%, Romney. Uma sondagem da CBS com 500 eleitores indicou uma vitória apertada de Obama no evento, com 37%. Uma parcela de 30% considerou Romney o vencedor, e 33% apontaram ter havido empate.

Questionado por parte da plateia de 80 eleitores indecisos e ávidos por respostas precisas, Obama reagiu com vigor logo na primeira oportunidade de tomar o microfone. Romney, em alguns momentos agressivo ao atravessar o tempo de seu adversário, calou-se quando Obama o expôs como mais radical do que seu antecessor, George W. Bush, quando o tema é assistência aos mais pobres e a política de imigração. Estrategicamente, deixou para sua mensagem final a crítica ao fato de seu opositor ter acusado 47% dos eleitores de serem "dependentes do governo". O programa foi encerrado, e Romney já não podia mais responder.

"Nós somos pessoas diferentes, em tempos diferentes. Por isso, o meu plano é diferente do seguido pelo presidente Bush", afirmou Romney, ao ser questionado por uma eleitora se sua eleição não significaria um retorno às políticas do ex-governante.

"Há coisas que, realmente, o governador Romney, difere do presidente Bush. Bush apoiou uma ampla reforma na imigração, não sugeriu a eliminação do Planejamento Familiar. O governador vai a um ponto extremo em questões sociais, nas quais Bush não foi capaz de chegar", afirmou Obama, em um dos principais momentos do debate na Hofstra University, em Hempstead (Nova York).

Segundo de uma série de três debates, o evento foi considerado decisivo para as eleições, do dia 6 de novembro. As eleições antecipadas - pelo correio ou direto nas urnas - estão em curso em 31 Estados americanos. Quanto maior o número de eleitores a optar por essa iniciativa nos próximos dias, menor será o impacto do próximo confronto, marcado para o dia 22 na Flórida.

Desde o debate de Denver, quando Obama mostrou-se apático e deixou o cenário ser dominado por Romney, as intenções de voto para o presidente recuaram nas consultas eleitorais em Estados indefinidos e chaves para sua reeleição, como a Pensilvânia e Michigan, abrindo espaço para Romney. Ontem, a média das pesquisas nacionais calculada pelo Real Clear Politics apresentava os candidatos empatados tecnicamente - Romney de novo na frente, com 47,4%, e Obama com 47,0%.

Cada palavra e cada gesto ontem, portanto, tenderá a ter peso redobrado. A moderadora Candy Crowley, âncora do programa State of Union da rede de televisão CNN, teve dificuldades em controlar Romney, visivelmente agressivo. Mas Obama mostrou que os três dias e meio de preparo intensivo trouxeram resultado. Estava atento, sorrindo, bem-humorado e preparado para rebater, sem agressividade, a cada uma das interferências de Romney. Ambos se mostraram bem treinados para o formato do debate, diferente do primeiro, no qual os candidatos puderam tomar o microfone, caminhar pelo palco e aproximar-se do eleitor que fazia a pergunta.

A geração de empregos e a carga tributária da classe média consumiram a primeira metade do debate, em sintonia com as preocupações mais sérias apontadas pelos eleitores em consultas de opinião. Romney, crítico do pacote de ajuda financeira do governo Obama às montadoras no auge da crise, afirmou ser a falência "um processo necessário para as empresas se colocarem de novo de pé". O presidente revidou dizendo que o plano de cinco pontos de seu opositor para gerar 12 milhões de empregos em quatro anos tem um único tópico: o de dar aos 2% de americanos mais ricos a redução de imposto.

Ambos colidiram em uma questão sobre energia. Romney acusou Obama de não ter aumentado a produção de petróleo por causa de sua política de limitar a concessão de áreas federais para a exploração. "Não é verdade. Demos licenças que não foram usadas", reagiu Obama. "A produção caiu 10%. Se a sua política funcionasse, os preços da gasolina teriam caído", contra-atacou Romney, ciente do quanto é delicado o fato de o galão do combustível custar mais de US$ 4.

 

 

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