REUTERS/Françoi Mori/Pool
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Pesquisas dão vitória a partido de novo presidente francês

Segundo sondagens, o Republicanos em Marcha conquistará no 1º turno mais cadeiras que as necessárias para obter maioria no Parlamento

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 05h00

PARIS - O presidente francês, Emmanuel Macron, deve derrotar seus opositores novamente. Pesquisas de opinião indicam que seu partido República em Marcha (REM) será o vencedor do primeiro turno das eleições legislativas deste domingo, com uma confortável maioria no Parlamento.

Um mês atrás, essa perspectiva parecia improvável. Assim como parecia improvável que ele seria eleito presidente quando criou seu partido há um ano. Mas o presidente, de 39 anos, tem se especializado em derrotar o ceticismo. 

Seu partido subiu rapidamente nas pesquisas, enquanto a opinião pública francesa aprovava suas primeiras semanas no cargo e seus planos de mudar as leis trabalhistas, adotar novas restrições éticas sobre políticos e funcionários públicos e simplificar o sistema de imposto de renda. 

“Parece que ele obterá uma maioria absoluta e as ferramentas que necessita para fazer o trabalho”, disse Jerome Fourquet, diretor do departamento de opinião da empresa de pesquisas Ifop. “Os franceses aprovaram suas leis sobre ética e suas primeiras viagens diplomáticas ao exterior.”

Segundo o Ifop, a porcentagem de pessoas que disseram que votarão no partido de Macron subiu de 24%, um mês atrás, para 31%. Seu apelo centrista está se sobrepondo tanto ao Partido Socialista quanto ao movimento de centro-direita Republicanos, os dois partidos que por décadas dominaram a política na França.

Após o decisivo segundo turno, em 18 de junho, o REM e seus aliados devem obter mais de 375 das 577 cadeiras da Assembleia Nacional, indicou pesquisa da empresa BVA, bem acima das 299 necessárias para uma maioria. Já a empresa Odoxa disse que o REM obterá 350 cadeiras e o Ipsos, entre 385 e 415 assentos.

Essas projeções sugerem que Macron se aproxima da histórica maioria da 5.ª República – o partido de centro- direita do ex-presidente Jacques Chirac obteve 398 cadeiras, em 2002, e 472, em 1993. Na prática, um resultado similar daria a Macron ainda mais poder. Chirac enfrentou um Partido Socialista unido na maior parte de sua legislatura. 

Já a oposição está dividida em vários partidos e todos enfrentam problemas internos após a dura campanha presidencial. “Antes, tudo tinha como base direita versus esquerda. Isso acabou”, disse Bruno Jeanbart, vice-diretor do instituto de pesquisas OpinionWay. 

Há menos de um mês na presidência, Macron tem conquistado o apoio dos franceses com acenos à esquerda, direita e centro, além de ganhar pontos com sua oposição tanto ao presidente americano, Donald Trump, quanto ao russo, Vladimir Putin. 

Relativamente novo na política, com seu partido República em Marcha, Macron agrada aos republicanos por seus apelos para liberalizar a economia e aos socialistas por suas posições sobre imigração e comportamento, além de sua visão pró-europeia. Esse ecletismo se refletiu na montagem do gabinete, com a economia nas mãos da direita, a chancelaria, na da esquerda, além de personalidades conhecidas do público francês em outras pastas. 

Pesquisas de opinião indicam que o apoio ao novo presidente varia entre 45% e 62% dos franceses. Apesar disso, a lua de mel tem tido alguns percalços. O ministro de Desenvolvimento Territorial, Richard Ferrand, enfrenta um inquérito preliminar sobre um suposto benefício que ele e a mulher receberam em 2011 em um negócio imobiliário, antes de ele entrar para a política. O presidente o apoiou e disse que ele não cometeu nenhum crime. 

“O caso de Ferrand atrapalhou um pouco a imagem limpa de Macron, mas ele tem tanta sorte que o ministro é um político pouco conhecido dos franceses”, disse o diretor de opinião do Instituto Kantar, em Paris, Edouard, Lecerf. “Ele não é tido como uma figura central.”

Além disso, o sistema de dois turnos da eleição parlamentar francesa também deve ajudar o presidente. Em virtude da regra de barreira e do centrismo das propostas, os candidatos do Republicanos em Marcha que avançarem ao segundo turno podem roubar votos tanto de conservadores como de socialistas. / THE WASHINGTON POST

 

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