Pesquisas de boca de urna em Israel indicam avanço da centro-esquerda

Partido de centro alcança resultado inesperado e pode ter papel decisivo em formação de novo governo.

BBC Brasil, BBC

22 de janeiro de 2013 | 23h27

Pesquisas de boca de urna mostram perda de terreno dos partidos de direita em Israel e um avanço da centro-esquerda no país.

De acordo com as previsões de três canais de TV israelenses, o bloco de partidos de direita, extrema-direita e religiosos obteve 61 a 62 assentos no Parlamento e o bloco de centro-esquerda ficou com 59 ou 58.

Mas a grande surpresa dessas eleições é o partido de centro Yesh Atid, liderado pelo ex-jornalista Yair Lapid.

Em vez das 9 a12 cadeiras que as pesquisas do último mês lhe destinavam, Lapid obteve, segundo as pesquisas de boca de urna, 18 a 19 assentos no Parlamento, criando expectativas de uma reviravolta no politica do em Israel.

A ex-chanceler Tzipi Livni declarou que, em vista dos resultados da boca de urna, "é possivel mudar a liderança do país".

Segundo observadores, o quase empate inesperado entre os dois blocos se deve a um alto índice de comparecimento às urnas, principalmente em Tel Aviv - reduto de eleitores liberais e de esquerda.

O Likud Beiteinu, liderado pelo atual primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, é o primeiro colocado, com 31 cadeiras no Parlamento.

Aproximação inesperada

Nessas circunstâncias, Netanyahu provavelmente será nomeado pelo presidente Shimon Peres, para tentar formar uma coalizão governamental.

Porém, com a vitória apertada do bloco da direita, o primeiro-ministro será obrigado a negociar a coalizão com um dos partidos de centro.

Durante a campanha eleitoral, Yair Lapid foi o único líder de um partido de centro que não rejeitou totalmente a possibilidade de participar de uma coalizão com Netanyahu.

No entanto, ele prometeu que não entraria "sozinho" (sem outros partidos de centro) em uma coalizão com partidos de direita e religiosos, pois não concordaria em servir como "folha de parreira" para um governo "extremista".

Lapid também colocou a questão do serviço militar dos ultraortodoxos como condição para participar de uma coalizão e exigiu a retomada das negociações entre Israel e os palestinos.

Ainda não se sabe em que medida Yair Lapid irá cumprir suas promessas eleitorais, mas se resolver mantê-las, o trabalho de Netanyahu para formar uma coalizão governamental será bem mais árduo do que se esperava e ele terá que abrir mão da aliança com seus parceiros naturais, dos partidos ultraortodoxos e da extrema-direita.

Perspectiva de mudança

Nesse caso, os resultados que se configuram nas pesquisas de boca de urna poderão significar uma mudança na politica israelense.

Netanyahu também poderá tentar fazer alianças com outros partidos de centro, como o Partido Trabalhista, liderado por Shely Iahimovitz, com previsão de 17 cadeiras, ou o partido Hatnuah, liderado pela ex-chanceler Tzipi Livni, que tem a expectativa de 6 a 7 cadeiras.

Durante a campanha eleitoral, tanto Livni como Iahimovitz afirmaram que seu objetivo seria derrubar Netanyahu, e não unir-se a ele.

Livni declarou diversas vezes que Netanyahu levou Israel a um isolamente diplomático e deu ênfase à retomada das negociações com os palestinos.

Já Iahimovitz optou pelo discurso socioeconomico e praticamente ignorou o conflito com os palestinos durante a campanha.

Como líder do segundo maior partido no mapa político israelense, o ex-jornalista Yair Lapid terá um poder de barganha inesperado na formação do próximo governo.

Resta saber se ele manterá a promessa contida no nome de seu partido - Yesh Atid - que em hebraico significa "Existe um futuro". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
israeleleicoeslikudnetanyahu

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.