Pesquisas de boca de urna indicam vitória de Humala no Peru

Ele teria 5 pontos de vantagem; autoridades pedem que população espere resultado final

Mariana Della Barba, BBC

05 de junho de 2011 | 19h06

Simpatizantes de Humala, na foto com a mulher, comemoram notícia de que ele teria vencido

 

LIMA - Minutos após o fechamento das urnas neste domingo, 5, no Peru, pesquisas de boca de urna indicam uma vitória do nacionalista Ollanta Humala. Diretores dos três institutos deixaram claro, porém, que os dados podem não refletir o resultado final.

 

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Em média, o candidato de centro-esquerda teve uma vantagem de 5 pontos em relação à sua rival, a conservadora Keiko Fujimori. A margem de erro nesse tipo de pesquisa é de até 6 pontos percentuais. Pelo instituto Ipsos Apoyo, Humala teve 52,6% dos votos, enquanto a filha do ex-presidente Alberto Fujimori ficou com 47,4%. Pela empresa CPI, eles tiveram, respectivamente, 52,5% e 47,5%. Já pela boca de urna da Datum, os números ficaram em 52,7% para o nacionalista e 47,3% para Keiko.

Embora analistas e diretores dos institutos tenham pedido calma e que a população esperasse o resultado final, partidários de Humala já tomavam a Praça 2 de Mayo, no centro de Lima, onde já estavam programadas as comemorações caso o nacionalista vencesse.

Os primeiros resultados oficiais estão previstos para as 21h, mas antes disso serão divulgados números preliminares feitos por amostragem.

Incertezas

Durante a manhã e a tarde de domingo, os peruanos saíram para escolher entre Keiko e Humala, após uma corrida presidencial dominada por incertezas e posições extremistas. O processo eleitoral transcorreu normalmente, apenas com alguns problemas que não chegaram a atrapalhar a votação, segundo observadores internacionais e o Departamento Nacional de Processos Eleitorais do Peru. Com o dedo marcado de tinta indelével pela última vez, já que as próximas eleições serão com urna eletrônica, os eleitores estavam tranquilos durante a votação em Lima, mas se diziam tensos e preocupados com o resultado.

 

No bairro central de Miraflores, militares armados acompanhavam a votação nos corredores da escola escola Juana Alarco de Dammert. Ao sair de sua sala, o administrador José Antonio Marote, de 50 anos, contou que votou nulo: "Os dois (candidatos) passaram o tempo todo fazendo ataques um contra o outro e mal falaram de suas propostas." Para ele, essa é uma eleição decepcionante, pois a grande maioria da população está insatisfeita, votando pelo mal menor. "Agora, meu único medo é que, se perder, Humalla convoque seus seguidores para irem protestar nas ruas."

 

Já o filho de Marote de 18 anos, que tem o mesmo nome do pai, votou pela primeira vez nessas eleições e escolheu Keiko, embora acredite que Humala seja o vencedor. "Vi nas pesquisas divulgadas lá fora que ele está na frente. Mas se ele perder acho que não vai ter nenhum problema. Ele já perdeu uma vez e não aconteceu nada", disse, sob o olhar de desaprovação do pai

Temor

Nelli Flores, de 19 anos, eleitora de Keiko tem outro temor. "Acho que se o Humalla ganhar, vai ser muito ruim para as empresas privadas, principalmente as pequenas, como a minha", disse a peruana, que tem um escritório de serviços de reformas.

Prestes a entrar na sala em que deveria votar, a enfermeira Lucia Vienueva, de 50 anos, afirmou que ainda não sabia em que ia votar.

"No primeiro turno, votei por PKK. Por isso acho que agora vou votar em Keiko", disse a Vienueva, em referência ao candidato Pedro Pablo Kuczynski, que passou a apoiar a candidata conservadora. "Na hora, vou fechar os olhos e escolher um dos dois."

Passado

Acompanhado pela mulher, Nadine Heredia, Humala votou pela manhã na Universidade Ricardo Palma, localizada no bairro de Surco, no centro de Lima.

Um pouco antes, ele saiu para correr no sul da capital, onde conversou com a imprensa.

"Temos que dar uma oportunidade ao que é novo. E temos que nos lembrar do passado na hora do voto", disse o candidato em referência aos anos de governo de Alberto Fujimori, pai de Keiko, que hoje cumpre pela de 25 anos por violação dos direitos humanos.

Já Keiko votou na escola Manuela Polo Jiménez, no mesmo bairro de Surco. O lado do marido, o americano Mark Vito Villanella, ela disse esperar que os peruanos votem pelo crescimento do país.

Propaganda eleitoral

O chefe da missão da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que monitora a eleição peruana, Dante Caputo, disse que o segundo turno havia sido mais tenso que o primeiro, por enfrentar um cenário "muito mais polarizado".

"Mas tudo está bem tranquilo, até agora não tivemos nenhum inconveniente significativo", afirmou,

Na segunda-feira, a missão da OEA divulgará um primeiro informe sobre o processo eleitoral.

A diretora do Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), Magdalena Chú Villanuea, afirmou que houve pequenos incidentes durante a votação, mas nenhum que atrapalhasse o processo.

A maior parte das irregularidades registradas (77%) foram de propaganda eleitoral ilegal e, em seguida, problemas com os materiais de votação (10%), como cédulas e urnas.

A diretora do ONPE acompanhou parte da votação no distrito de Pacarán (no sul de Lima), onde um grupo de 1.354 peruanos testou a urna eletrônica pela primeira vez e qualificou como "histórico" o uso do software eleitoral.

 

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