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Pesquisas indicam empate entre esquerda e direita nas eleições alemãs

Cresce a possibilidade de Merkel ter de formar governo de coalizão com social-democratas

O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2013 | 16h58

BERLIM- Duas pesquisas de opinião divulgadas nesta sexta-feira, 20, indicam um empate técnico entre os dois principais blocos parlamentares que disputam as eleições gerais de domingo, na Alemanha. A coalizão de centro-direita da chanceler Angela Merkel, que reúne a União Democrática Cristã (CDU) e o Partido Liberal (FDP) tem 45% da preferência, segundo os institutos Emnid e Allensbach. O bloco centro-esquerdista dos sociais-democratas (SPD), verdes e esquerdistas, tem 44%.

Caso esse porcentual se confirme nas urnas, a hipótese mais provável para Merkel seguir no comando do país é um governo de coalizão com o SPD, a exemplo do que ocorreu entre 2005 e 2009. Especialistas alertam, no entanto, que pode haver resistência ao acordo entre os sociais-democratas, já que na última aliança entre os dois partidos a popularidade do SPD caiu.

Segundo o levantamento do Emnid, a CDU continua com 39% da preferência do eleitorado alemão. O FDP oscilou um ponto para cima e conta com 6% da intenção de voto. Já o SPD segue o preferido de 26% dos eleitores. O s verdes caíram um ponto para baixo e têm agora 9%, mesma porcentagem do Partido da Esquerda, que não variou.

A pesquisa da Allensbach mostra as coalizões com os mesmos porcentuais, mas uma pequena variação entre a votação individual de alguns partidos: A CDU tem 39,5% e o FDP, 5,5%. Já o SPD conta com 27%. Os verdes e os esquerdistas têm 9% cada. O levantamento mostra ainda que o partido antieuropeu Alternativa para a Alemanha está próxima da cláusula de barreira de 5% exigida para a entrada no Parlamento. A legenda tem 4,5% da preferência do eleitorado.

A eleição de domingo é aguardada com expectativa em toda a União Europeia. Os parceiros da principal potência econômica do continente esperam um menor rigor na política de austeridade promovida por Merkel desde o começo da crise na zona do euro. Mesmo assim, as perspectivas para uma mudança de curso são pequenas, mesmo se o SPD entrar na coalizão de governo.

“A Alemanha permanece comprometida com a zona do euro, mas a opinião pública e dificuldades institucionais limitam a possibilidade de qualquer alteração drástica de política econômica”, disse, em nota, o banco Citi Research.

O grande número de indecisos, estimados em 30% do eleitorado, deve decidir a eleição. Se eleita, Merkel se tornará a terceira chanceler da Alemanha pós-guerra a ser eleita para três mandatos, ao lado de Helmut Kohl e Konrad Adenayer. Na primeira eleição, em 2005, ela liderou um governo de coalizão ao lado do SPD de Gehard Schroeder.

“Depois dessa parceria, o SPD perdeu 13 pontos porcentuais em sua média de votos histórica e está muito preocupado com os efeitos de longo praz de uma nova coalizão”, disse o analista Alex White, do banco JP Morgan. “Os líderes do SPD pressionarão por um acordo o mais vantajoso possível. A negociação deve se estender por semanas.”

Nos bastidores, especula-se que, se houver o governo de coalizão, o SPD condicionará seu apoio a uma série de medidas, entre as quais um aumento do salário mínimo e impostos sobre grandes fortunas, além dos ministérios das Finanças e das Relações Exteriores. / AP e REUTERS

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