EFE/Leonardo Muñoz
EFE/Leonardo Muñoz

Pesquisas indicam vitória do ‘sim’ na votação

Apesar de levantamento apontar tendência a favor de acordo, abstenção deve ser alta entre os eleitores colombianos

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2016 | 22h00

BOGOTÁ - As pesquisas mais recentes de intenção de voto na Colômbia apontam para uma vantagem do “sim” no plebiscito de domingo sobre o acordo de paz. Levantamentos mostram que 62% do eleitorado é favorável ao pacto com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), enquanto 38% estão contra.

O comparecimento não é obrigatório. Pesquisas compiladas pela Associated Press mostram que a abstenção deve ser alta, com apenas 37% dos cerca de 35 milhões de colombianos habilitados a votar tendo demonstrado disposição para ir às urnas no domingo. 

A votação será iniciada às 8h e terminará às 16h. A previsão é de que os resultados comecem a ser conhecidos durante a noite de domingo. A população precisará responder à pergunta “você apoia o acordo final para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura?”. O governo de Juan Manuel Santos afirmou que não tem um “plano B”, se os eleitores rejeitarem o pacto. 

A campanha pelo “não” tem entre seus líderes o ex-presidente Álvaro Uribe, feroz opositor ao processo de paz. “O dia 2 de outubro é a única oportunidade para corrigir os acordos, com os quais Santos premia as Farc. Por meu país, VOTO NÃO”, escreveu o ex-presidente em sua conta no Twitter.

A guerrilha ainda é considerada um grupo terrorista por Estados Unidos e União Europeia, embora o bloco europeu já tenha anunciado sua intenção de suspendê-la de sua lista, em apoio ao pós-conflito. O Departamento de Estado americano também já indicou que uma aprovação do acordo abrirá caminho para retirar os guerrilheiros da lista.

“Essa é a oportunidade de deixarmos de nos matar pelas ideias”, disse neste sábado, 1.º, o chefe negociador do governo nas conversações de paz, Humberto de la Calle. “Votar ‘não’ acreditando que voltaremos para corrigir o que quisermos é uma ilusão. Esse é o melhor acordo possível”, afirmou à AFP.

Alcançado após quase quatro anos de árduas negociações em Cuba, o acordo foi selado na segunda-feira em uma cerimônia solene em Cartagena. Nela, o chefe rebelde Rodrigo Londoño (“Timochenko”) pediu perdão às vítimas, e o presidente Santos deu as boas-vindas à vida democrática das Farc, no caminho para ser um movimento político legal.

Um assessor jurídico das Farc nos diálogos de paz, o advogado espanhol Enrique Santiago, considerou que o pacto de 297 páginas, que inclui desde o desenvolvimento rural até a participação política, servirá como um “modelo”. / AFP e AP

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