Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Pesquisas irritam Trump, que planeja mudar campanha 

Presidente teria tido ataque de fúria ao ser informado que Biden lidera em Estados-chave e ameaçou processar chefe de sua equipe

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 04h00

WASHINGTON  - A campanha à reeleição de Donald Trump atravessa um momento difícil. Irritado com pesquisas internas do Partido Republicano, que indicam a liderança do rival democrata Joe Biden, o presidente planeja mudanças no comando da equipe e uma grande ofensiva de propaganda na TV, em uma estratégia que ganhou ares de urgência para tentar reverter uma perigosa queda de popularidade a seis meses das eleições. 

Os números das pesquisas internas do Partido Republicano não foram divulgados. No entanto, segundo o New York Times, Trump teve uma crise de fúria durante um telefonema com seu gerente de campanha, Brad Parscale, após receber os dados. Ele disse que não perderia para Biden, insistiu que os dados estavam errados e culpou Parscale pelos resultados.

Segundo a CNN, em determinado momento, Trump ameaçou processar Parscale pelo desempenho ruim. De acordo com fontes citadas pelo Washington Post, conselheiros de Trump apresentaram os resultados das pesquisas para encorajá-lo a diminuir o número de entrevistas coletivas sobre a pandemia, o que estaria desgastando a imagem do presidente.

Além de Parscale, Trump conversou com seu conselheiro e genro, Jared Kushner, e com a presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC, na sigla em inglês), Ronna McDaniel. Outros funcionários da Casa Branca também participaram das conversas, que aconteceram por meio de teleconferências.

Trump rejeitou moderar suas aparições, dizendo que as pessoas “amam” as entrevistas coletivas, que passam a imagem de que ele está lutando pelos americanos. A ofensiva publicitária, que terá início no domingo e deve durar uma semana, enaltecerá o desempenho do presidente no gerenciamento da crise. Em seguida, segundo fontes da campanha, ele começará a atacar Biden em comerciais de TV. 

A equipe de campanha do presidente começou a ficar mais preocupada nas últimas semanas, à medida que os encontros do presidente com a imprensa se tornavam mais combativos, a crise econômica se agravava e as mortes por coronavírus continuavam aumentando.

Há oito dias, Trump cometeu um novo deslize ao sugerir a injeção de alvejantes ou desinfetante para matar o vírus – provocando uma corrida do governo para tentar conter os prejuízos. O presidente não realizou nenhuma coletiva de imprensa no fim de semana e respondeu a menos perguntas nesta semana.

Embora não haja detalhes das pesquisas internas, sabe-se que as sondagens se referem a Estados-chave na eleição. O presidente americano não é escolhido pelo voto direto, mas por 538 votos de um colégio eleitoral que são alocados para cada Estado, de acordo com a população. Por isso, a eleição presidencial de novembro será decidida por alguns Estados, como Flórida, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. 

Por isso, a situação do presidente é complicada. Depois de apresentar um recuperação em sua popularidade, que atingiu seu melhor momento no dia 27 de março, a imagem de Trump voltou a se desgastar e seus índices caem continuamente. O desempenho ruim em âmbito nacional se reflete nos Estados.

Além de aparecer atrás de Biden em Estados-chave, a disputa está mais apertada do que o normal em lugares onde Trump deveria estar vencendo com facilidade. No Texas, segundo pesquisa do Public Policy Polling, divulgada nesta semana, a diferença é de um ponto porcentual em favor do democrata (47% a 46%). No Arizona, outro Estado dominado pelos republicanos nas últimas eleições, Biden lidera com 9 pontos porcentuais (52% a 43%), de acordo com pesquisa publicada ontem pelo OH Predictive Insights. / Washington Post e New York Times

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