Gustavo Caballero/Getty Images/AFP
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Pesquisas mostram baixo impacto de investigação federal contra Hillary

Levantamento aponta que revelação do FBI sobre nova análise de e-mails da candidata enquanto ainda era secretária de Estado não muda intenções de maioria dos eleitores; distância entre democrata e Donald Trump continua pequena nacionalmente

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 05h00

WASHINGTON - Pesquisas divulgadas no domingo 30 mostraram que a maioria dos eleitores americanos não mudará seu voto em razão do anúncio do FBI de que analisará e-mails de uma das principais assessoras de Hillary Clinton para determinar se eles contêm informações confidenciais e úteis em investigação sobre o uso de um servidor privado de internet durante a gestão da democrata no Departamento de Estado. 

A corrida pela presidência americana, no entanto, tem se mostrado cada vez mais acirrada a pouco mais de uma semana da eleição. Levantamento ABC News/Washington Post mostrou virtual empate entre Hillary e o adversário republicano, Donald Trump, em âmbito nacional, com apenas um ponto de vantagem para a democrata. 

Três pesquisas divulgadas desde a sexta-feira 28 revelaram o crescimento do republicano na Flórida, o mais importante dos “swing states”, os Estados que oscilam entre os dois partidos e são cruciais para a disputa. 

Hillary liderava na Flórida até a semana passada, mas duas das pesquisas recentes mostraram empate, enquanto a terceira, do New York Times, deu vantagem de quatro pontos porcentuais a Trump. Mas a democrata manteve a liderança em outros Estados cruciais, como a Pensilvânia e a Carolina do Norte. Na média das pesquisas nacionais recentes calculada pelo site RealClearPolitics, Hillary estava 4,3 pontos à frente de Trump. Há dez dias, a diferença era de 7 pontos. 

Contexto. A maioria dos levantamentos foi realizada antes de o diretor do FBI, James Comey, informar ao Congresso americano que a agência havia encontrado novos e-mails que podem estar relacionados à investigação sobre o uso de um servidor privado por Hillary no Departamento de Estado. Comey disse não saber se o conteúdo das mensagens é “significativo” nem se elas contêm informações sigilosas.

De acordo com reportagem do Washington Post publicada no domingo, agentes do FBI tinham conhecimento dos novos e-mails desde o início do mês, mas só comunicaram o fato a Comey na quinta-feira. No dia seguinte, ele enviou uma carta ao Congresso na qual informou um grupo de parlamentares que o FBI pretendia analisar a relevância das mensagens. 

A decisão de Comey contraria a prática da instituição de não anunciar a abertura de investigações e foi vista por democratas como interferência indevida na eleição. A informação de que agentes do FBI tinham conhecimento dos e-mails desde o início do mês deve levantar questionamentos sobre o momento escolhido para o anúncio, 11 dias antes de os americanos irem às urnas. Hillary disse na sexta-feira ser “imperativo” que o FBI divulgue todas as informações relacionadas ao caso, mas é improvável que isso ocorra antes das eleições.

Pesquisa da ABC News/Washington Post revelou que 63% dos eleitores não pretendem mudar seu voto em razão do anúncio do FBI. Dos 34% que disseram que a revelação influenciou sua posição, dois terços são eleitores de Trump ou simpatizantes do Partido Republicano. Em pesquisa da CBS, 71% disseram que não mudarão de posição.

Fontes policiais disseram a vários meios de imprensa americanos que os agentes ainda precisam obter autorização judicial para ler os e-mails, encontrados em um laptop de Anthony Weiner, ex-marido de uma das principais assessoras de Hillary, Huma Abedin. 

 

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