Win McNamee/Getty Images/AFP
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Buttigieg desiste da disputa e Biden vira nome anti-Sanders

Campanha democrata se afunila entre moderados e progressistas, colocando cada vez mais ex-presidente e senador como adversários

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2020 | 20h49
Atualizado 23 de julho de 2020 | 14h38

Um dia depois de vencer de maneira convincente as primárias da Carolina do Sul, a campanha de Joe Biden recebeu neste domingo, 1, outra boa notícia: Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend, abandonou a disputa. Com isso, o ex-vice-presidente dos EUA se consolida ainda mais como o candidato moderado de centro e alternativa mais viável ao senador Bernie Sanders, considerado um radical de esquerda dentro do Partido Democrata.

Desde o início, a disputa democrata foi marcada pelo excesso de candidatos – no total, 29 chegaram a disputar a indicação para ser o nome a enfrentar o presidente Donald Trump, em novembro. No entanto, desde o início, estava claro que a corrida seria entre as duas alas do partido: os progressistas e os moderados.

Sanders e Elizabeth Warren disputam o voto dos progressistas. Do lado moderado, Biden tem como concorrentes principais Michael Bloomberg, o bilionário ex-prefeito de Nova York, a senadora Amy Klobuchar e Buttigieg – que desistiu após ficar em quarto lugar na Carolina do Sul.

Buttigieg havia vencido em Iowa e obtido um bom resultado em New Hampshire, mas nunca conseguiu atrair os eleitores negros, importante base do Partido Democrata. Biden, que teve péssima votação nas três primeiras prévias, recebeu 48% dos votos na Carolina do Sul. Em segundo lugar, Sanders ficou com 20%. 

A votação de sábado foi a quarta da temporada de primárias, que chega a um momento decisivo na Superterça, quando serão alocados 1.357 dos 3.979 delegados – cerca de um terço do total de votos que definirá o candidato na convenção nacional do partido, em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho. A Superterça marca ainda a entrada de Bloomberg na disputa. Em uma estratégia ousada, ele se lançou com atraso e não participou das primeiras quatro prévias. 

A avaliação de especialistas é a de que Biden pode levar parte dos eleitores moderados que têm optado por Bloomberg nas pesquisas. A vitória na Carolina do Sul também serviu para diminuir o fôlego de Sanders e foi uma má notícia para Trump, que tem apostado na polarização como estratégia para alcançar vitória.

O candidato democrata será definido na convenção do partido pelo voto de 3.979 delegados – escolhidos nas primárias – e 771 superdelegados, caciques do partido, líderes estaduais e burocratas. Os poucos mais de 15% dos votos, portanto, podem pesar no final, caso a disputa esteja acirrada.

Biden conta o apoio da maior parte dos líderes e burocratas do partido, mas é importante que ele vença Sanders também no voto popular, para não passar a impressão de que sua candidatura foi definida nos bastidores. 

Por enquanto, na contagem de delegados, Sanders está na frente, com 58. Com a vitória de sábado, Biden pulou para segundo, com 50. O terceiro lugar era de Buttigieg – ele tinha 26 antes de desistir. Warren tem 8 e Klobuchar, 7. Para a campanha do ex-presidente, quanto mais rápido se definir a polarização entre um moderado e um progressista, melhor para Biden, já que os centristas vêm obtendo mais votos nas prévias – que acabam pulverizados entre vários concorrentes.  / NYT e AP

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