Jim Lo Scalzo/Efe
Jim Lo Scalzo/Efe

Petraeus diz acreditar que ataque em Benghazi foi atentado

Ex-diretor da CIA depôs no Congresso; ele é investigado por possível vazamento de informações durante caso extraconjugal

AE, Agência Estado

16 de novembro de 2012 | 16h17

WASHINGTON - O ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, pela inicial em inglês), o general David Petraeus, 60 anos, disse nesta sexta-feira, 16, a deputados no Congresso dos Estados Unidos, que acredita que os ataques contra o consulado americano em Benghazi, no Leste da Líbia, eram um atentado terrorista.

Na ocasião, noite de 11 de setembro, foram mortos quatro norte-americanos, entre eles o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, de 52 anos. O deputado republicano Peter King disse que Petraeus ressaltou aos políticos que documentos da CIA, logo após os eventos, descreviam o que ocorreu como atentado terrorista.

Petraeus está envolvido num escândalo detonado pela revelação do caso extraconjugal que teve com Paula Broadwell, de 40 anos. O militar teve que renunciar ao comando da CIA no começo de novembro.

Os republicanos acusam o governo dos EUA de ter subestimado a possibilidade de um ataque terrorista em 11 de setembro e ter enganado o público norte-americano, tentando convencê-lo de que o ataque foi um protesto ao filme anti islâmico "A Inocência dos Muçulmanos".

King disse que Petraeus não fez nenhum comentário sobre sua saída da CIA e o caso extraconjugal durante o depoimento ao Comitê de Inteligência da Câmara. Petraeus está sob investigação dos seus ex-subordinados da CIA por um possível vazamento de informações durante o caso com Paula, mas esse não foi o assunto abordado no depoimento.

Em entrevista à emissora CNN exibida nesta sexta-feira, Petraeus disse que nunca deu qualquer informação secreta a Paula Broadwell. A ex-amante do general, que também é casada, afirmou que nunca recebeu nenhuma informação secreta do militar. O caso entre os dois acabou há quatro meses.

Mas o FBI, polícia federal americana, encontrou um número "substancial" de informações secretas no computador e na casa de Paula. O FBI agora investiga onde ela conseguiu as informações. Um agente, que falou sob anonimato, à Associated Press não disse quais informações foram encontradas.

"Petraeus tinha conhecimento total sobre o que estava acontecendo na Líbia", disse King. Cinco dia após o ataque em Benghazi, a administração do presidente Barack Obama enviou a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, às emissoras de televisão, onde ela descreveu o ocorrido como um protesto espontâneo de muçulmanos indignados com o filme.

Rice se baseou em avaliações da inteligência (espionagem) que se mostraram incorretas e agora está sob forte ataque dos senadores republicanos. Eles querem barrar a nomeação de Rice para o comando do Departamento de Estado, se Hillary Clinton deixar o cargo, como disse que faria antes da reeleição de Obama em 6 de novembro.

Com AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.