Petraeus diz que não passou informações secretas à amante

General, que pediu demissão da CIA em razão de escândalo extraconjugal, depõe hoje no Congresso americano

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h03

Um dia antes de prestar depoimento na Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados para falar sobre o atentado contra o Consulado dos EUA em Benghazi, o ex-diretor da CIA (agência de inteligência dos EUA) David Petraeus negou ter passado informações secretas para a sua ex-amante Paula Broadwell, segundo relato de uma jornalista e confidente do general.

No depoimento, marcado para hoje, políticos republicanos devem pressionar Petraeus, que pediu demissão do cargo há uma semana em razão do caso extraconjugal, para saber exatamente o que ocorreu no dia do ataque e qual foi o papel da CIA. Eles tabém devem questioná-lo sobre o possível vazamento de informações secretas do serviço de inteligência para sua ex-amante.

O governo de Barack Obama, inicialmente, por meio de sua embaixadora na ONU, Susan Rice, afirmou que o ataque contra o consulado teria sido resultado de manifestações contra um vídeo islamofóbico que saíram de controle e se tornaram violentas. Posteriormente, a versão de que havia sido um atentado terrorista planejado ganhou mais força.

Até semanas atrás, ainda não se sabia que, na verdade, três dos quatro mortos trabalhavam para a CIA. A outra vítima foi o embaixador dos EUA na Líbia, Jay Chris Stevens. Petraeus iria depor na semana passada para dar explicações sobre o papel da agência no episódio em Benghazi, mas o general acabou pedindo demissão em meio ao escândalo extraconjugal.

Uma das grandes questões envolve a possibilidade de Petraeus ter passado informações secretas para Paula. "Ele insistiu para mim que nunca passou documentos secretos para ela e acrescentou que sua demissão nada tem a ver com Benghazi. A causa foi mesmo o caso extraconjugal", disse Kyra Phillips, repórter do canal HLN, afiliado da CNN, e amiga próxima do ex-diretor da CIA. Kyra afirma ter conversado com ele diversas vezes nos últimos dias.

Biografia. Reportagem de capa do jornal New York Post, publicada ontem, dá uma versão diferente da do general Petraeus. O diário afirma que documentos secretos foram encontrados no computador da casa de Paula Broadwell, em Charlotte, no Estado da Carolina do Norte. Esta informação não foi confirmada pelo FBI, responsável pela investigação.

Paula escreveu uma biografia do general. O livro foi redigido em parceria com Vernon Loeb e editado pela The Penguin Press neste ano com o título All In. Atualmente, ela é pesquisadora na Universidade Harvard, mas mantém residência em Charlotte, onde vive com o marido, o radiologista Scott Broadwell.

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