Petraeus recomenda adiamento de retirada de soldados do Iraque

General dos EUA diz em depoimento no Senado que segurança melhorou, mas alerta que ganhos são ''frágeis e reversíveis''

Washington, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

O general David Petraeus, principal comandante dos EUA no Iraque, recomendou ontem um adiamento da retirada gradual dos soldados americanos do país árabe, que deveria ocorrer depois de julho. Em depoimento à Comissão de Serviços Armados do Senado, Petraeus afirmou que o aumento de tropas americanas no ano passado ajudou a melhorar a segurança em partes do Iraque. No entanto, ele alertou que esses ganhos são ''frágeis e reversíveis'' e, por isso, resolveu pedir uma pausa de 45 dias após a retirada prevista de soldados em julho para que seja possível ''avaliar a situação'' no país.Atualmente, cerca de 160 mil soldados americanos estão no Iraque. De acordo com planos anunciados no ano passado, o Pentágono vai retirar cinco brigadas - ou aproximadamente 20 mil soldados - até meados de julho. Depois estavam previstas outras retiradas graduais, sem número estipulado de soldados. Das 15 brigadas remanescentes - com no máximo 140 mil soldados - que continuariam no país árabe, analistas acreditam que, nas melhores circunstâncias, pelo menos 100 mil soldados permanecerão no Iraque até o fim do mandato do presidente George W. Bush, em janeiro.''No fim desse período de pausa, vamos dar início a um processo de avaliação para examinar as condições no terreno e, ao longo do tempo, determinar quando poderemos fazer novas retiradas'', afirmou Petraeus. ''Esse processo será contínuo, com recomendações para outras reduções que serão feitas à medida que as condições permitirem.'' O depoimento foi acompanhado pelo senador republicano John McCain e pela senadora democrata Hillary Clinton, candidatos à sucessão do presidente George W. Bush (leia abaixo).Petraeus recusou-se a estimar um prazo para a saída de tropas depois de julho. ''Essa estratégia não permite estabelecer um cronograma de retirada, mas dá a flexibilidade que nós precisamos para preservar os frágeis ganhos na segurança que nossos soldados lutaram tão intensamente para conseguir'', disse. ''Retirar muitos soldados rápido demais pode colocar em risco o progresso conquistado no ano passado.''Os comentários de Petraeus foram criticados pelo presidente da comissão, o senador democrata Carl Levin, que acusou o governo de adotar um plano de guerra sem uma opção de saída estratégica. Bush disse que pretende aceitar a recomendação de Petraeus. Amanhã, o presidente americano fará um discurso sobre a guerra, no qual deverá mencionar o número de soldados americanos no Iraque. A audiência de Petraeus no Senado - que estava acompanhado do embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker - foi interrompida em duas ocasiões por um grupo de manifestantes que protestava contra a intervenção militar americana no Iraque.Os dois oficiais também discutiram a recente ofensiva americana contra milícias xiitas em Basra, qualificada de ''um sucesso'' por Crocker. Após duro questionamento no Senado, porém, Petraeus reconheceu que a operação no fim do mês passado foi mal planejada. ''A ação não foi preparada adequadamente'', disse. AP, REUTERS E NYTNOVA PROPOSTA Retirada de soldados: Plano original prevê a retirada de 20 mil soldados do Iraque até julho. Depois disso, o general David Petraeus sugeriu uma pausa de 45 dias para avaliar a situação no país. Atualmente, 160 mil soldados americanos estão no IraquePrazo: Petraeus recusou-se a estipular um novo prazo para a retirada gradual dos soldados, alegando que a retirada de muitos soldados pode colocar em risco o progresso conquistado no Iraque

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