João Andrade/Reuters
João Andrade/Reuters

Petrobrás está sujeita a ter prejuízos em suas atividades nos EUA, diz Araújo 

Na noite de quarta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, decidiu que a Petrobrás deve abastecer os dos dois navios com bandeira do Irã parados no Paraná

Mariana Haubert , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 15h18

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira, 25, que a Petrobrás corre o risco de ser punida pelos Estados Unidos caso abasteça os dois navios iranianos que estão estacionados no Paraná. Ele disse, no entanto, que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, deve ser seguida.

Ontem à noite, o ministro determinou que a Petrobrás abasteça os dois cargueiros, que estão parados desde junho.

Em nota enviada ao Estado, o STF informou que Toffoli indeferiu o pedido da Petrobrás e manteve a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná que tinha determinado o fornecimento do combustível. Ao recusar-se a fornecer o combustível, a estatal brasileira alegava que poderia ser punida, pois as embarcações são alvo de sanções americanas.

"É um tema que está na Justiça, nosso entendimento é de que as partes envolvidas têm de seguir a decisão da Justiça. Nós temos chamado a atenção para o fato de que a Petrobrás poderia estar sujeita a ter prejuízos em suas atividades nos Estados Unidos. De acordo com as medidas que estão em vigor nos EUA, determinado comportamento da empresa por ter esse tipo de repercussão", disse.

Araújo afirmou ainda que a situação permanece e as empresas, tanto brasileira quanto iraniana, seguirão a determinação da Justiça. "Achamos que a situação permanece, mas existe o Estado da Lei", disse. 

Para o especialista em segurança internacional e energia da Universidade de Georgetown, Paul Sullivan, a decisão da Petrobrás de não abastecer os navios não é uma surpresa.

“Em razão da proximidade ideológica de Jair Bolsonaro e Donald Trump, isso já era esperado. A Petrobrás, provavelmente, está muito desconfiada e preocupada com as sanções dos EUA, e o próprio Brasil afirmou que está alinhado com as sanções impostas ao Irã”, disse Sullivan ao Estado.

Ao mesmo tempo, o especialista americano ressalta que o Brasil é um país “independente”. “A relação com o Irã também envolve a questão da energia nuclear, polo que o Brasil teve a chance de desenvolver, mas não quis. Vai muito além de combustível, milho e desses dois cargueiros”, afirmou. "O Brasil está sendo puxado por várias direções diferentes. Depende de como o país quer lidar com essa questão. Milho e energia são importantes para o Irã, e com o comércio internacional em diminuição, quanto menos parceiros comerciais uma nação tiver, mais afetará a economia". / COM CARLA BRIDI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.