Petrobras sabe que deve pagar mais pelo gás boliviano

A Petrobras é "consciente" que deve aumentar o preço que paga pelo gás natural que importa da Bolívia, afirmou nesta sexta-feira o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz. O reconhecimento brasileiro foi expresso a Soliz pelos executivos da multinacional durante as reuniões ocorridas nos últimos dias, no início das negociações entre as duas partes. "Conversamos sobre o panorama global, e o Brasil está consciente de que é preciso reajustar os preços", acrescentou o ministro em entrevista coletiva. Atualmente, o Brasil paga US$ 3,23 por mil BTUs (Unidade Térmica Britânica, na sigla em inglês), como parte de um contrato de abastecimento de 30 milhões de pés cúbicos diários, em vigor desde 1999. Além de discutirem o pedido boliviano de aumento de preço, a Petrobras e o governo boliviano avaliam o interesse brasileiro para que, uma vez alcançado o volume máximo do contrato, os envios cresçam para 68 milhões de pés cúbicos diários. As negociações incluem as condições em que Petrobras poderá permanecer em território boliviano para atuar em toda a cadeia produtiva do petróleo. Segundo Soliz, os termos de qualquer contrato que possa ser firmado estarão condicionados à nacionalização do setor, condição imposta pelo Governo socialista da Bolívia. O ministro acrescentou que, da mesma forma que na questão do preço, os representantes brasileiros estão conscientes de que "a Bolívia tem de implementar a nacionalização" de seus campos de petróleo e gás natural. Soliz comentou que o Governo deseja "concluir a negociação depois, com um Estado boliviano fortalecido pela nacionalização". Paralelamente às negociações com o Brasil, as autoridades bolivianas dialogam com a Argentina, tanto para subir os preços do atual contrato como para ampliar o volume do gás exportado àquele país desde 2004. Argentina aceita revisar preço de gás boliviano Argentina aceitou revisar o preço do gás boliviano no contrato em que pretende ampliar os volumes de abastecimento do produto, segundo foi estipulado em reunião entre autoridades dos dois países nesta sexta-feira. O convênio é parte da declaração assinada esta noite pelo ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia e pelo titular de Planejamento argentino, Julio de Vido, na cidade de La Paz. O documento diz que será feita uma revisão total do contrato de venda de gás natural, assinado há dois anos, e dos acordos complementares. Segundo esses convênios, que expiram em dezembro deste ano, a Bolívia exporta 7,7 milhões de pés cúbicos diários de gás ao mercado argentino. A negociação conduzida entre Soliz e De Vido tinha sido iniciada pelo ministro argentino e pelo vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, na última quarta-feira, na cidade de Santa Cruz. De Vido declarou sua satisfação com o resultado da conversa, tanto por ratificar o compromisso de seu país como por refletir as novas condições políticas das duas nações. "A etapa que se abre é desafiadora porque há uma nova era na América Latina e na Argentina", disse De Vido ao final da reunião com Soliz. Soliz, por sua vez, destacou que, agora, os dois países falam com sinceridade suficiente para reconhecer seus respectivos pontos fortes e necessidades. O ministro boliviano disse ainda que a Argentina começou a reconhecer que o atual preço do gás, com a chamada "tarifa solidária" de 2004, deve se transformar em um preço "equilibrado" tendo em vista a realidade dos dois países. No novo contrato, que pode ser concluído em maio, será discutida a ampliação das exportações bolivianas do produto, visando abastecer o futuro Gasoduto do Nordeste Argentino, segundo definiram Soliz e De Vido. A Bolívia, por meio da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), manifestou seu interesse em atuar em parceria com a Energia Argentina (Enarsa) nos planos de industrialização do gás em território argentino. Os detalhes técnicos do novo convênio de exportação serão definidos por uma comissão binacional que discutirá a questão entre os dias 27 de abril e 15 de maio.

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