West Asia News Agency/Reuters
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Petroleiro iraniano é atacado perto de porto saudita; Teerã não confirma uso de mísseis

Segundo imprensa estatal iraniana, navio foi atingido por mísseis próximo ao porto da cidade saudita de Jiddah; governo confirma danos ao petroleiro, mas não menciona o uso de armamento

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 03h49
Atualizado 11 de outubro de 2019 | 11h53

TEERÃ - Um petroleiro do Irã foi atacado duas vezes nesta sexta-feira, 11, perto da cidade de Jiddah, na Arábia Saudita, segundo informações da Companhia Nacional de Petroleiros do Irã (NITC), operadora da frota iraniana. As explosões provocaram um vazamento de petróleo no Mar Vermelho.

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A empresa disse que o casco do petroleiro Sabiti foi atingido por duas explosões que "provavelmente foram causadas por ataques com mísseis" a cerca de 100 km da costa saudita. "Todos os tripulantes passam bem", acrescentou a NITC, ressaltando que as pessoas a bordo tentam reparar os danos.

Horas depois, Teerã confirmou o ataque ao petroleiro, afirmou que as ofensivas vieram "de um lugar próximo ao corredor no leste do Mar Vermelho", mas não mencionou mísseis, como a NITC e a mídia estatal iraniana indicaram.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi, garantiu que a situação do petroleiro está sob controle e que "as investigações sobre os detalhes e os autores deste movimento perigoso continuam". Mousavi acrescentou que entre os dois ataques houve um intervalo de meia hora.

"Nos últimos meses, foram realizados outros atos de sabotagem contra petroleiros iranianos no Mar Vermelho e estão sendo realizadas investigações sobre os seus autores. Todas as responsabilidades desta medida, incluindo a poluição ambiental na região, recai em quem está por trás desta perigosa aventura", comentou Mousavi.

Versão da imprensa

Anteriormente, a agência estatal iraniana de notícias Irna afirmou que a embarcação "sofreu danos no casco quando foi atingida por mísseis a 60 milhas (95 quilômetros) do porto saudita de Jiddah". A informação seria procedente do Departamento de Relações Públicas e Assuntos Internacionais da companhia.

"Felizmente, toda a tripulação a bordo está sã e salva e o navio está em condições estáveis", acrescentou a agência oficial.

Segundo o canal de televisão iraniano em espanhol "HispanTV", dois mísseis atingiram a embarcação. De acordo com o site do canal iraniano em inglês "Press TV", os técnicos a bordo da embarcação que estavam investigando o incidente não descartavam "um ato de terrorismo".

A TV estatal exibiu imagens do convés do navio dizendo que foram feitas após o ataque, mas elas não mostravam danos visíveis. As laterais do casco não foram enquadradas.

Tensão regional

O Mar Vermelho é uma grande rota global de petróleo e outros produtos, ligando o Oceano Índico ao Mediterrâneo através do Canal de Suez. Os preços do petróleo saltaram após a notícia, e fontes da indústria disseram que o ataque pode elevar os custos já altos das remessas.

Segundo o site TankerTrackers, que rastreia os movimentos dos petroleiros, o Sabiti transporta um milhão de barris de petróleo e diz que tem "o Golfo" como destino.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelo incidente desta sexta-feira, que aconteceu na esteira de ataques a navios no Golfo em maio e junho, além de atentados a instalações petrolíferas sauditas em setembro.

Os Estados Unidos, enredados em uma crise com Teerã devido aos planos nucleares iranianos, culparam o Irã pelos incidentes anteriores. O regime do Irã negou qualquer participação.

Riad não comentou de imediato as reportagens desta sexta-feira. A Quinta Frota da Marinha dos EUA, que opera na região, disse estar ciente das reportagens, mas que não tem mais informações.

O suposto ataque desta sexta-feira também acontece depois da apreensão de várias embarcações pelo Irã nos últimos meses na região do Golfo e a apreensão em julho em Gibraltar de um petroleiro iraniano, liberado em 15 de agosto.

O Irã, que se considera o guardião do Golfo, denuncia a presença de forças estrangeiras na região e ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz - ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo - em caso de ação militar americana.

Neste contexto, Washington formou uma coalizão militar marítima para proteger a navegação, acompanhado por Riad e Abu Dhabi.

O Irã, por sua vez, apresentou um projeto regional para garantir a "segurança energética e liberdade de navegação" nas águas do Golfo. / EFE, AFP e REUTER

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