EFE/Sovcomflot
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Petroleiro russo cruza o Ártico sem ajuda de quebra-gelo

Ele completou a jornada da Noruega à Coreia do Sul em 19 dias, um prazo 30% menor do que o gasto na rota regular

Russel Goldman / The New York Times, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 20h19

Um petroleiro russo construído para atravessar as congeladas águas do Ártico completou sua jornada entre a Europa e a Ásia em um tempo recorde este mês, em um presságio sobre o futuro da navegação com o aquecimento global derretendo as camadas de gelo sobre os mares. 

O Christophe de Margerie, petroleiro de 300 metros construído especialmente para essa jornada, tornou-se o primeiro navio a completar a Rota do Mar do Norte sem a ajuda de um quebra-gelo especializado em auxiliar a embarcação. 

A jornada foi a realização de um sonho de cem anos da navegação e dos planos de uma década do presidente russo, Vladimir Putin. Seu governo tem indicado intenção de tirar vantagem política e econômica das mudanças climáticas que afetam o Ártico. “Este é um grande evento para a abertura do Ártico”, disse Putin na viagem inaugural do petroleiro este ano.

O navio, que transporta gás natural liquefeito, completou a viagem da Noruega à Coreia do Sul em 19 dias, no dia 17. O trajeto foi percorrido em um prazo 30% menor do que o gasto na rota regular, passando pelo Canal de Suez. 

Durante séculos, navegadores têm buscado pela Passagem do Norte uma rota mais curta e mais rápida entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Historicamente, o espesso gelo na região tornava a jornada impossível. No último século, navios quebra-gelo tornaram a viagem plausível, mas economicamente proibitiva, apenas possível durante o verão, quando a camada de gelo fica mais fina. 

Mas as rápidas mudanças climáticas têm alterado significativamente a região. No comunicado, a empresa Sovcomflot afirma acreditar que o navio poderia fazer sua “jornada durante todo o ano em condições difíceis de gelo”. 

O petroleiro recebeu o nome de Christophe de Margerie, chefe executivo da companhia de energia francesa Total, morto em um acidente de avião em Moscou em 2014. 

Primeiro de uma planejada frota de 15 petroleiros similares, a embarcação tem um casco de aço reforçado exclusivo que lhe permite quebrar camadas de gelo de pouco mais de um metro. Apenas 500 navios completaram a jornada desde que a rota foi percorrida pela primeira vez, em 1906. A Sovcomflot diz esperar agora que a viagem se torne rotineira. 

Por enquanto, a rota ainda continua cara, principalmente pelos altos custos com seguro e as considerações ligadas à segurança. Um relatório do ano passado elaborado pela Copenhagen Business School concluiu que uma embarcação Trans-Ártico não seria economicamente viável antes de 2040. 

À medida que especialistas anteciparam o aumento do derretimento no Ártico, vários países têm procurado maneiras de explorar o fenômeno, instalando cabos e perfurando na busca por petróleo e gás natural, entre outros recursos. / NYT 

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