Petróleo faz Bush querer solução rápida na Venezuela

O governo norte-americano quer uma solução a curto prazo para o impasse na Venezuela porque a crise já resultou na suspensão do fornecimento de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia para o mercado dos Estados Unidos, num momento em que o país se prepara para uma possível querra contra o Iraque, que pode trazer novas dificuldades imediatas ao abastecimento de combustível.Ocorre que a administração Bush teve seu espaço de atuação reduzido na crise venezuelana pela maneira desastrada como se comportou em abril do ano passado, quando ficou perto de apoiar um golpe de Estado contra Chávez. A atitude norte-americana destoou do resto do continente, que condenou a tomada inconstitucional do poder em Caracas como uma violação à Carta Democrática da OEA.Diplomaticamente paralisado pelo episódio, o governo norte-americano acabou perdendo credibilidade mesmo junto aos antichavistas, que passaram a acusar Washington de omissão. Mas a administração Bush não abandonou seu desejo de ver Chávez removido o quanto antes do palácio de Miraflores, embora concorde agora que isso deva ser feito por meios constitucionais e que permitam uma sucessão viável.A contragosto, os Estados Unidos também reconhecem que, por ora, o combalido líder venezuelano ganhou a parada das ruas contra seus adversários, de cuja competência política também desconfia. A questão venezuelana foi discutida por Lula e Bush em sua conversa de 10 de dezembro passado no Salão Oval. Dias depois, quando Lula enviou Marco Aurélio Garcia a Caracas, fontes de Washington disseram que viam com agrado a atitude brasileira de assumir uma atitude mais pública - e os riscos - de um papel de liderança na região.ContrasteA iniciativa constrastou com a atitude tímida que o Brasil teve na crise de 2000 no Peru, quando o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, guiado pelo princípio da não ingerência, recusou-se a assumir um papel mais crítico ao presidente Alberto Fujimori e acabou sendo criticado de conivência com um regime autoritário, em Washington, pela oposição peruana e pelo Partido dos Trabalhadores.Ironicamente, o novo protagonismo diplomático do Brasil na Venezuela acabou produzindo um resultado parecido. Respeitado como estudioso das relações internacionais, mas inexperiente em diplomacia, Marco Aurélio Garcia desembarcou em Caracas dando entrevistas e acabou reforçando as desconfianças dos antichavistas de que sua missão teria o objetivo de respaldar Chávez.Por essa razão, os oposicionistas recusaram a oferta de conversas feitas por Marco Aurélio. Embora o próprio Lula já tenha feito críticas a Chávez e indicado que o líder venezuelano é o responsável pela crise em seu país, dizendo que ele é um militar que não compreende a sociedade civil, a percepção dos antichavistas sobre a posição do Brasil é essencialmente correta, na medida em que o Brasil insiste, desde o governo anterior, que o líder venezuelano só pode ser removido por meios constitucionais.

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