PF aumenta fiscalização dos rios na fronteira com Colômbia

A decretação do fim da zona desmilitarizada na Colômbia, a chamada "farclândia", e a possibilidade de deslocamento dos guerrilheiros para a direção da fronteira brasileira, levou a Polícia Federal a "acionar dispositivo de alerta" na área e "efetuar uma forte fiscalização nos rios da região".O Exército, por sua vez, redobrou a atenção nos seus pelotões de fronteira, mas não colocou, pelo menos por enquanto, suas unidades em estado de prontidão, ou deslocou pessoal para reforçar a área. O fim do processo de paz entre o governo colombiano e a guerrilha deixou "aflito" o governo brasileiro, de acordo com autoridades diplomáticas."Nós nos preocupamos porque um processo de paz que falha significa o início de uma guerra. E, claro, guerra civil em um país vizinho é algo que nos deixa aflitos", afirmou a fonte. Embora concordem e apóiem plenamente a iniciativa do presidente Andrés Pastrana de interromper as negociações do processo de paz com as Farcs, o Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliam que não é possível para o Brasil manter a tranqüilidade enquanto seu vizinho está vivendo um conflito armado interno.Em nota oficial distribuída nesta sexta-feira, a Polícia Federal informou que, no momento, 180 homens se encontram em pontos estratégicos da fronteira do Brasil com a Colômbia e que toda a atuação deles está contando com o apoio do Exército. Diz ainda que a PF está efetuando "forte fiscalização nos rios de penetração pela fronteira Brasil/Colômbia, evitando assim o ingresso em território nacional de pessoas e mercadorias sem que antes haja uma prévia triagem.O Exército, por sua vez, nos seus pelotões de fronteira e batalhões de infantaria de selva, conta com pelo menos três mil homens ao longo de toda a extensão da fronteira com a Colômbia. Mas, em toda a área do Comando Militar da Amazônia (CMA), o Exército possui 22 mil homens e outros integrantes das Forças de Pronto Emprego, localizados no Rio e em São Paulo, que, em caso de necessidade, podem ser mobilizados para impedir invasão de território.Desde setembro de 2000, os oito postos de vigilância da Operação Cobra, comandada pela Polícia Federal, mantidos na fronteira do Brasil com a Colômbia, foram reforçados. Para aumentar o controle, dois barcos-patrulha entraram nesta sexta-feira em operação nos rios que cortam a fronteira, sobretudo o Solimões e o Japurá, elevando para quatro o total destas embarcações na área.Tanto a Polícia Federal, quanto as Forças Armadas esperam, no entanto, somente para daqui a 15 dias, os reflexos da ofensiva dos militares colombianos sobre os guerrilheiros. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, ao desembarcar nesta sexta-feira em Brasília, depois de uma viagem ao Canadá, informou que não só o Exército, mas também a Marinha e Aeronáutica, estão trabalhando na área para manter a integridade do País."O Exército mantém seus pelotões alertas e continua patrulhando a área de fronteira, dispondo, naquela região, de forças de grande mobilidade", disse o ministro, por intermédio de uma nota oficial. Ele esclareceu ainda que a região onde se realizam os combates está situada a cerca de 1000 quilômetros da fronteira, sendo a zona de floresta densa, de ambos os lados.Por fim, o ministro avisou que os setores de inteligência do Ministério da Defesa e dos comandos militares tem mantido um constante e eficiente monitoramento da área.Prisão de meninoA nota da PF informa ainda que um menino de 12 anos de idade, de nacionalidade colombiana, foi detido às 16 horas desta quinta-feira, quando cruzava o rio Japurá numa canoa, portando um fuzil calibre 556 de fabricação sul-coreana, com dois carregadores e 52 cartuchos.A Polícia Federal classificou o fato como "isolado" e "inusitado", evitando fazer qualquer relação com os últimos acontecimentos na Colômbia. De acordo com uma autoridade da PF, o local onde o menor foi detido - na fronteira de Vila Bittencourt (AM) com a Colômbia - fica a quase 1000 quilômetros da área de guerrilha e não daria tempo dele ter se deslocado depois do rompimento do processo de paz entre o governo colombiano e as FARCs. O menor, que não quis explicar o que fazia no rio Japurá com aquelas armas, foi imediatamente devolvido para a Colômbia pela PF.

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