PF pede ajuda da Interpol sobre contrabando para Iraque

A Polícia Federal vai acionar a Interpol (Polícia Criminalística Internacional) na Inglaterra para confirmar se há fundamento nas denúncias do cientista iraquiano dissidente, Khidir Hamza, que afirmou que o país poderia construir uma bomba atômica, graças ao urânio contrabandeado do Brasil. Após o recebimento das informações, a PF vai abrir inquérito para apurar a origem e os supostos responsáveis pelo contrabando.A denúncia de Hamza, publicada pela revista britânica Times, pegou de surpresa as autoridades brasileiras. A PF não tem registro sobre o contrabando de urânio ?Se essa informação for confirmada, é um caso grave?, afirma um delegado da cúpula da PF. Segundo ele, nos últimos anos a instituição não recebeu denúncia sobre o assunto.A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) constatou que em 1989 e 1990 não houve registro de exportações de urânio pelo País. Sobre os anos anteriores, informou desconhecer essas operações, já que a saída do yellow cake - o primeiro estágio do beneficiamento do urânio - ao Iraque, ocorridas entre 1979 e 1990 não estão registradas nos arquivos, mas nos da extinta Cacex (Carteira de Comércio Exterior).O Banco do Brasil, que era o gestor da Cacex, e o Ministério das Relações Exteriores não responderam, até o início da noite de hoje, a consulta sobre o assunto. O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, designou o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), José Mauro Esteves dos Santos, para esclarecer o assunto.A denúncia de que o Iraque teria comprado urânio contrabandeado do Brasil para utilizá-lo no programa nuclear acabou movimentando vários setores do governo brasileiro. No Itamaraty, o assunto foi levado das áreas técnicas ao ministro-interino das Relações Exteriores, embaixador Osmar Chohfi. A avaliação preliminar era de que as informações publicadas originalmente pela revista já haviam sido divulgadas no passado e seriam insuficientes para comprovar as operações de contrabando.

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