Estadão
Estadão

PF prende 3 em operação contra a exploração sexual de venezuelanas em Roraima

Operação Codinome teve como objetivo combater o tráfico de mulheres em municípios do Estado brasileiro fronteiriço com o país caribenho; foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e 21 conduções coercitivas

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 17h17

A Polícia Federal brasileira realizou nesta quinta-feira uma operação no norte do País para combater o tráfico de mulheres venezuelanas que eram exploradas sexualmente em alguns municípios do Estado de Roraima, fronteiriço com a Venezuela.

De acordo com as investigações da PF, alguns proprietários de clubes se aproveitavam da "vulnerabilidade econômica" das venezuelanas que cruzaram a fronteira em razão da grave crise atravessada pelo país vizinho e ofereciam alojamento e, em alguns casos, refeições em troca de elas se prostituírem.

As venezuelanas ficaram em dormitórios improvisados nos fundos dos bares onde realizavam os programas sexuais, disse a PF em comunicado. Ainda de acordo com as autoridades brasileiras, alguns destes agenciadores permitiam que as venezuelanas se prostituíssem também em outros lugares desde que pagassem uma taxa para os donos dos estabelecimentos onde estavam alojadas.

A operação, batizada de Codinome, teve como objetivo cumprir 25 mandados de busca e apreensão e 21 conduções coercitivas na capital de Roraima, Boa Vista, e nos municípios de Rorainópolis, São Luís, Caroebe, Alto Alegre, Iracema e Mucajaí. Durante a ação, três pessoas foram presas em flagrante pelos crimes investigados.

"Não foram constatados, em regra, grave ameaça, violência, coação, cárcere privado ou fraude contra as vítimas", diz a nota da PF. Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico de pessoas, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, que consiste na prática de obter lucro através da exploração de prostituição alheia.

Centenas de venezuelanos deixaram seu país em direção ao Brasil nos últimos meses fugindo da escassez de produtos básico e de remédios que atinge a Venezuela, em meio a grave crise econômica que deve fazer com que a inflação neste ano passe dos 700%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em muitos casos, essas pessoas tem pedido esmolas ou feito serviços informais nas ruas de cidades brasileiras que fazem fronteira com a Venezuela em razão da falta de oportunidades de emprego.

O governo de Roraima chegou a pedir no ano passado ajuda ao Governo Federal para atender a crescente chegada de cidadãos venezuelanos no Estado em razão do alto custo para oferecer serviços básicos e dos problemas sociais causados pela imigração sem controle. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.