PF tenta impedir entrada de terroristas no Brasil

Agentes do Centro de Inteligência da Polícia Federal estão em Foz do Iguaçu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, e em Puerto Iguazu, na fronteira com a Argentina, reforçando o esquema de segurança para impedir a entrada, no País, de árabes envolvidos com o terrorismo.Os policiais brasileiros estariam recebendo informações dos agentes do FBI (a polícia federal norte-americana) instalados em Ciudad del Este e em Puerto Iguazu e repassando o que apuram do lado brasileiro.São 40 agentes do FBI que investigam possíveis conexões islâmicas radicadas no Paraguai, na Argentina e no Brasil com os extremistas que atacaram Nova York em 11 de setembro.A ordem do Ministério da Justiça aos federais brasileiros é para que examinem com "mais cuidado" os passaportes dos cidadãos árabes com vistos de permanência dos governos paraguaio e argentino que pretendem entrar no Brasil para fazer compras ou visitar amigos, familiares ou mesquitas em Foz do Iguaçu.Dezenas de árabes que trabalham ou são proprietários de lojas em Ciudad del Este moram em Foz do Iguaçu. Os Estados Unidos e Israel, segundo o diplomata paraguaio, José Antonio Moreno, aumentaram sua presença na fronteira entre Brasil e Paraguai depois dos atentados contra o Pentágono e o World Trade Center.Policiais civis e militares de Foz do Iguaçu relataram que o serviço secreto israelense (Mossad) e o FBI jamais saíram da região desde o atentado terrorista contra a mutual israelita de Buenos Aires, em 1995.Cinco agentes das duas instituições vinham investigando ao longo desses anos as atividades de imigrantes e descendentes de origem árabe que vivem e trabalham em Foz e em Ciudad del Este. Agora o número de agentes israelenses e norte-americanos enviados à fronteira aumentou. São dez do Mossad e 40 do FBI.Depois dos atentados na Argentina - em 1992 e 1995 -, a fronteira entre o Brasil e o Paraguai tornou-se um dos pontos mais vigiados da América do Sul.A região passou a ser considerada área de risco permanente em decorrência do tráfico de drogas, de armas, contrabando, além da falta de controle de pessoas entre os dois países.Por causa do conflito árabe-israelense no Oriente Médio, a associação é direta com a colônia árabe da fronteira, que tem 12.000 pessoas entre imigrantes e descendentes em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.O serviço secreto israelense acredita que integrantes dessa comunidade possam estar financiando grupos extremistas como o Hezbollah, que atua no sul do Líbano como foco de resistência armada contra Israel.Solidária à causa palestina e formada na maioria por imigrantes oriundos do Vale do Bekaa, no sul do Líbano, a colônia posiciona-se contra os atentados terroristas e a maioria diz que é vítima de discriminação."Sempre que acontece um atentado em alguma parte do mundo, lançam suspeitas sobre nossa comunidade", lamenta o empresário Fouad Fakih.

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