PIB da Índia deve ter crescido entre 9% e 10% no ano fiscal

A economia da Índia deve crescer entre 9 e 10 por cento no próximo ano fiscal, que começa em 1o de abril, após ter crescido 8,5 por cento no atual ano fiscal. O anúncio foi feito neste sábado pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

RAJESH KUMAR SINGH E NIGAM PRUSTY, REUTERS

08 de janeiro de 2011 | 11h09

Impulsionada pelo mercado interno, a economia indiana cresceu 8,9 por cento no terceiro trimestre - cifra que coincidiu com o crescimento revisado do trimestre anterior. A previsão de Singh está abaixo da antecipação feita anteriormente pelo governo, que era de 9 por cento.

"Apesar do contexto de incerteza global, estou feliz que nossa recuperação econômica está evoluindo muito bem", afirmou Singh durante a reunião anual de estrangeiros que residem em Nova Déli.

"Nós esperamos que a partir do ano que vem seremos capazes de crescer entre 9 e 10 por cento."

A Índia, a terceira maior economia da Ásia, cresceu uma média de 9,5 por cento por três anos no ano fiscal concluído em março de 2008, antes de ter sido atingida por um declínio global que provocou a desaceleração da expansão econômica para um índice de 6,7 por cento entre 2008 e 2009.

Ainda que a economia pareça ter se estabilizado, o governo de Singh vem sofrendo pressão para conter a inflação, em especial os crescentes preços de produtos.

A inflação alimentar da Índia chegou a 18,3 por cento na semana do dia 25 de dezembro. Foi a taxa mais alta em mais de um ano. Na semana anterior, o índice havia sido de 14,4 por cento.

Apesar de chuvas fora de época terem sido culpadas pela alta de legumes como cebolas e tomates, alguns analistas atribuem os motivos à baixa produtiva agrícola e a problemas na rede de transporte, após anos de reformas incipientes e de escasso investimento governamental.

Produtos alimentícios têm um peso de 14,34 por cento sob o índice de preços no atacado, considerado o principal termômetro da inflação na Índia, mas um aumento incessante nos preços de alimentos é visto como algo que pode alimentar as expectativas inflacionárias e provocar a limitação do poder de compra dos consumidores.

Singh não se pronunciou sobre a inflacão, mas o ministro das Finanças, Pranab Mukherjee, que discursou no mesmo evento que o primeiro-ministro, reconheceu a necessidade de controlá-la.

"Nós temos de tomar medidas para manter a inflação em um nível moderado", disse Mukherjee.

O fracasso do governo para controlar a inflação e uma série de escândalos de corrupção, entre eles um suposto esquema de fraude nas telecomunicações de 39 bilhões de dólares, acusações de corrupção ao longo do ano passado, envolvendo os Jogos da Commonwealth e o ressurgimento de um escândalo de 25 anos ligado a um contrato na área de Defesa estão reduzindo o apoio da opinião pública

Uma pesquisa realizada pelo instituto AC Nielsen no início deste mês mostrou que o governista Partido do Congresso poderia perder 40 postos no Parlamento se a eleição fosse realizada amanhã.

O primeiro-ministro Singh disse que está tentando fazer com que o seu governo seja mais transparente. "Estamos analisando seriamente como fazer mudanças sistêmicas e garantir procedimentos mais transparentes e salvaguardas em nosso processo de governança", afirmou.

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