Pilar de Defesa

Uma trégua foi decidida entre Israel e Hamas, a facção extremista dos palestinos que controla a Faixa de Gaza, durante visita do premiê egípcio Hesham Kandil. Uma boa iniciativa, adequada para acalmar os corações exaltados de israelenses e palestinos, mas que fracassou, pois foi rompida depois de alguns minutos.

GILLES LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h01

Isso significa que a violência continuará e nos encaminhamos para uma operação israelense como a Chumbo Grosso, de 2008, que resultou na morte de 1.389 palestinos e 13 israelenses? Não necessariamente. No momento, a atual Operação Pilar de Defesa está longe de atingir aqueles terríveis resultados: 26 pessoas foram mortas em Gaza, entre elas várias crianças. Ao menos 3 israelenses também foram mortos, mas os números variam segundo as fontes.

A impressão que prevalece é a de que Israel não suspendeu seu plano, mas hesita entre uma escalada dos ataques ou uma desaceleração da violência. É nesse sentido que a agitação diplomática que acompanha a batalha deve ser examinada nos mínimos detalhes. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, pode se felicitar. A comunidade internacional o apoia, sobretudo em Washington. Ele pode, portanto, sentir-se encorajado a ir mais longe e golpear cruelmente o Hamas, que lança foguetes contra cidades israelenses, tornando a vida dos habitantes insuportável.

Mas existem outros fatores. Em primeiro lugar, o comportamento do Egito, que ocupa posição geográfica crucial, ao sul de Gaza. Claro que na época de Hosni Mubarak, Egito e Israel preferiram seguir o caminho da paz. No entanto, Mubarak caiu e o novo dirigente do país, Mohamed Morsi, pertence à Irmandade Muçulmana, movimento islâmico de onde surgiu o Hamas.

Pressão. Morsi tentará acalmar o jogo e insistir na paz? O que ele pode fazer? Não muita coisa. Ele está sendo vigiado por Washington, que aceitou muito mal a lentidão do Egito em condenar os ataques contra a Embaixada dos EUA no Cairo, em setembro. Ele também está sob vigilância da opinião pública egípcia, bastante hostil a Israel, e sob observação do Hamas, que deseja solidariedade da Irmandade Muçulmana egípcia e não gostou do fechamento da fronteira de Rafah.

Israel está consciente dos perigos. Sabe que o Hamas rompeu seu isolamento diplomático ao receber centenas de milhões de dólares do Catar, cujo emir escolheu a ala dura dos palestinos contra a ala moderada (a Autoridade Palestina, na Cisjordânia). Certamente, o Hamas perdeu o apoio do seu padrinho sírio. Em compensação, conseguiu manter o apoio político e militar do seu segundo suporte, o Irã.

Essas são as razões pelas quais Israel parece hesitar a dar mais um passo e lançar uma ação maciça contra Gaza. No entanto, tudo pode mudar de um momento para o outro. Principalmente porque dois outros fatores políticos devem ser levados em conta: as próximas eleições em Israel e a candidatura palestina para obter o estatuto de Estado não membro das Nações Unidas, que será apresentada na Assembleia-Geral no dia 29, ou seja, no dia do 65.º aniversário da aprovação, na ONU, da divisão da Palestina em dois Estados. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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