Comitê de Investigação da Rússia / AP
Comitê de Investigação da Rússia / AP

Piloto aponta relâmpago como causa de acidente com avião russo que matou 41 pessoas

Segundo comandante de bordo, aeronave teve de fazer um pouso de emergência depois de perder parte dos equipamentos em razão de um raio; com o pouso violento, ela pegou fogo

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 11h13

MOSCOU - O piloto da aeronave que pegou fogo na noite de domingo no Aeroporto de Shermetievo, em Moscou, matando 41 pessoas, apontou nesta segunda-feira, 6, que um relâmpago teria desencadeado o acidente.

As circunstâncias exatas do episódio ainda não foram oficialmente reveladas, mas o comandante de bordo, Denis Evdokimov, relatou à imprensa russa que o Sukhoi Superjet 100 teve de fazer um pouso de emergência depois de perder parte dos equipamentos da aeronave em razão de um relâmpago.

"Por causa do raio, perdemos o contato de rádio e passamos para o regime de pilotagem mínima (...). Ou seja, sem um computador como de costume, mas de maneira direta e em regime de emergência", explicou o piloto ao tabloide russo Komsomolskaya Pravda. "Conseguimos restabelecer o contato via frequência de emergência, mas ela estava curta e operava apenas de forma intermitente (...). Conseguimos dizer algumas palavras e depois o contato se perdeu."

Segundo o comandante, foi por causa do pouso violento que a aeronave pegou fogo. "A razão é certamente que os tanques estavam cheios", disse ele.

As primeiras fontes relataram um incêndio a bordo, mas um vídeo publicado horas depois do acidente mostra a aeronave tocando o asfalto antes de pegar fogo. Imediatamente após a aterrissagem, os passageiros começaram a ser retirados pelos tobogãs da aeronave, enquanto as chamas se espalhavam rapidamente.

Caixas-pretas encontradas

De acordo com fontes dos serviços de emergência citados pela imprensa russa, as duas caixas-pretas da aeronave foram encontradas no local do acidente e encaminhadas para investigação.

Um total de 78 pessoas estavam a bordo da aeronave quando ela foi forçada a retornar para Moscou-Sheremetyevo, minutos depois da decolagem com destino a Murmansk, onde um luto de três dias foi decretado.

Segundo o Comitê de Investigação, órgão responsável pelas principais investigações na Rússia, 41 pessoas morreram. Outras nove foram hospitalizadas, sendo que três delas estão em estado grave. De acordo com uma fonte citada pela agência pública Tass, um cidadão americano está entre os mortos.

O Sukhoi Superjet 100, primeira aeronave civil projetada pela Rússia pós-soviética para competir com a brasileira Embraer e a canadense Bombardier no mercado de aeronaves regionais, foi motivo de orgulho para o país na época de seu lançamento em 2011. Contudo, desde então, tem sido criticado, teve pouquíssima aceitação fora do mercado russo e várias empresas estrangeiras mencionaram problemas de confiabilidade.

Desde que começou a voar, em 2008, este é o segundo acidente que deixa mortos envolvendo um Superjet 100, de acordo com a base de dados Aviation Safety Network. Em maio de 2012, um avião que fazia um voo de demonstração caiu na Indonésia matando 45 pessoas. / AFP

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