Niranjan Shreshta / AP
Niranjan Shreshta / AP

Piloto de avião que caiu no Nepal em março sofria de ‘estresse mental severo’, aponta relatório

Documento do governo nepalês informa que Abid Sultan, de 52 anos, mostrava sinais de fadiga, chegou a chorar durante o voo e cometeu uma série de erros técnicos

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2018 | 06h01

Katmandu - O piloto do avião da companhia aérea de Bangladesh US-Bangla que caiu no Nepal em março, matando 51 pessoas, sofreu um "estresse mental severo" durante o voo, segundo os resultados de um relatório do governo nepalês divulgado na segunda-feira, 27.

A investigação oficial revelou que o piloto de 52 anos Abid Sultan mostrava sinais de fadiga, chegou a chorar e cometeu uma série de erros técnicos em pleno voo. "Quando analisamos a conversa na CVR (a caixa-preta do avião), ficou claro que o capitão sofria de estresse mental agudo. Também parecia estar cansado e esgotado por causa da falta de sono", apontaram os investigadores.

O avião, um Bombardier Dash 8 com matrícula S2-AGU que realizava o trajeto desde Daca com 67 passageiros e 4 tripulantes a bordo, caiu no dia 12 de março em Katmandu durante a aterrissagem. Vinte pessoas sobreviveram ao acidente.

As gravações contidas na unidade de registro da cabine mostram que Sultan confirmou que o trem de aterrissagem estava desdobrado seis minutos antes de tentar aterrissar pela primeira vez. Contudo, quando o copiloto, Prithula Rashid, revisou o estado do avião, descobriu que o trem de aterrissagem não estava desdobrado.

Na segunda tentativa de aterrissagem, minutos depois, a aeronave derrapou ao chegar ao solo e sofreu uma forte colisão que provocou um incêndio.

Conduta duvidosa

Além dos erros técnicos, o relatório afirma que o piloto fumou cigarros continuamente durante o voo, o que segundo os investigadores indica seu elevado nível de estresse.

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Sultan ainda manteve um longo monólogo durante a viagem, no qual fez vários comentários ofensivos sobre um copiloto da mesma companhia que havia questionado seu profissionalismo, o que o levou a sofrer crises emocionais no voo e na fase de aterrissagem.

O piloto afirmou também que "estava muito incomodado e ferido pelo comportamento de sua companheira" e que "ela era a única razão pela qual ia deixar a companhia", segundo os investigadores.

De acordo com vários pilotos nepaleses contatados (que pediram anonimato), as conversas pessoais entre companheiros de trabalho estão estritamente proibidas nas cabines durante a aterrissagem e a decolagem.

Antes de trabalhar na US-Bangla, Sultan atuou na Força Aérea de Bangladesh e foi retirado do serviço ativo em 1993 por depressão, segundo o relatório, embora tenha sido declarado apto para o voo após ser reavaliado por um psiquiatra em 2002.

"Nenhum dos exames médicos dentre 2012 e 2017 que o comitê revisou mencionam sintomas de depressão, e ele recebeu a aprovação do assessor médico", concluíram os investigadores. / EFE

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