Piloto sírio deserta com seu MiG e pede asilo na Jordânia

Esta é primeira deserção com um avião desde o início da revolta; Damasco autoriza entrada de observador da ONU

AMÃ, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

Um avião militar sírio MiG-21, que perdeu contato com as autoridades de Damasco pouco tempo após ter decolado, aterrissou em uma base aérea na Jordânia, onde seu piloto, um coronel do Exército da Síria, pediu asilo político. Segundo a agência Petra, o piloto sírio, identificado como Hassan Muri Hamada, desertou da Força Aérea de seu país e já decolou com intenção de buscar asilo político na Jordânia.

O caso do piloto é a primeira deserção com um avião militar desde o início da revolta popular contra o regime de Bashar Assad em março do ano passado, que já deixou 15 mil mortos, segundo a ONU. Ao menos 170 pessoas foram mortas, a maioria civis, nos combates na Síria, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Autorização. O governo de Assad aceitou dar ao brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro um visto de entrada no país. Mas Damasco insiste que a autorização tem caráter pessoal e não inclui a comissão de investigação que Pinheiro preside e recebeu o mandato da ONU para apurar as violações dos direitos humanos na Síria. Segundo o Estado apurou, a decisão de Damasco tomada na quarta-feira. Por enquanto, a ONU não se pronunciou sobre a ação do governo sírio, que é vista na entidade como mais uma manobra de Assad para adiar os trabalhos da organização.

Os próximos dias prometem ser críticos para as operações da ONU na Síria. Hoje, o mediador Kofi Annan promete um anúncio sobre o futuro da missão no país. Já no dia 30, o Conselho de Segurança se reúne em Genebra para tentar destravar a falta de consenso entre as potências sobre o que fazer com a crise na Síria.

Parte da relação da ONU com Damasco depende do acesso que o regime dará à entidade. Pinheiro foi escolhido no final de 2011 para liderar uma equipe independente. Nos relatórios que já publicou, indicou que as ações por parte do regime de Assad poderiam ser classificadas como crimes contra a humanidade. / J.C. e AFP

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