Pilotos brasileiros combatem na Colômbia

A tropa de 80 superequipados soldados do grupo Alfa das forças de elite do Exército da Colômbia, que tomou na madrugada desta sexta-feira o modesto aeroporto de San Vicente del Caguán, desembarcou de um enorme avião Hercules C-130. Os chefes da guerrilha deixaram a área pouco antes da chegada da unidade precursora em um helicóptero não identificado, pintado de preto fosco. Os dois grupos podem ter tido em ambas as operações um ponto em comum: pilotos mercenários brasileiros no comando das aeronaves.De acordo com o ex-coronel austríaco Paul Stein, um profissional da guerra e recrutador de pessoal combatente autônomo, os aviadores treinados pela Força Aérea Brasileira (FAB) são muito bem cotados no mercado. O maior atrativo entre suas habilidades é a grande experiência em três tipos operações aéreas vitais no cenário do conflito colombiano: o ataque ao solo com o turboélice Tucano, da Embraer; o pouso e decolagem curtas com o pesado C-130; e ações táticas com helicópteros armados."Desde 1999 vários pilotos civis e ex-militares do Brasil têm sido contratados como instrutores pelo Ministério da Defesa da Colômbia. Os salários pagos pelos dois lados variam de US$ 7 mil a US$ 14 mil mensais", revela Stein. Ele cita os nomes de guerra de seis desses especialistas, "já conhecidos dos serviços de inteligência": comandantes Barros, Moura, Almeida e Barreto (todos ex-FAB); além de dois civis, Silveira (ex-Varig) e Castro (ex-TAM).Segundo o austríaco, as Farc têm ido às compras no mercado clandestino de armas pesadas ao longo dos últimos dois anos. A guerrilha gastou dinheiro para montar uma pequena frota aérea com aviões executivos convertidos para uso militar e também com helicópteros leves. São 12 unidades mantidas sob camuflagem à beira de bem protegidos trechos retos de estradas secundárias improvisados como pistas.Durante as primeiras 18 horas da Operação TH foram realizadas 56 saídas de combate da aviação colombiana com 30 aviões de variados tipos. O maior número de missões correu por conta dos Emb-312 Tucano e OV-10 americanos antiguerrilha, sob proteção de supersônicos Kfir, caça supersônico israelense.Os seis Tucanos decolaram com lançadores de 16 foguetes de 70 milímetros e bombas de 250 quilos ou metralhadoras 7.62. A modificação do avião de treinamento para ataque ao solo exigiu um pequeno revestimento em fibra blindada do tipo kevlar na parte inferior da fuselagem, sensores de visão noturna primária e um painel de controle de tiro. Um Kfir foi atingido por fogo antiaéreo das Farc.A posição da guerrilha foi destruída pelos foguetes lançados por um Tucano. Em terra foram mobilizados 200 homens do 36º Batalhão de Caçadores que reocuparam sua base regular, perdida para as Farc em 1999.

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