Tony Luong/The New York Times
Tony Luong/The New York Times

Pilotos da Marinha americana relatam encontros com objetos voadores inexplicáveis

Funcionários do Departamento de Defesa não descrevem os objetos como extraterrestres, e os especialistas enfatizam que geralmente podem ser encontradas explicações terrenas para esses incidentes

Ralph Blumenthal e Leslie Kean / The New York Times, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 20h26

WASHINGTON - Pilotos de caça americanos relataram encontros próximos com veículos aéreos não identificados, em alguns casos perigosamente próximos, em oito incidentes entre 27 de junho de 2013 e 13 de fevereiro de 2019, de acordo com documentos recentemente divulgados pela Marinha dos EUA.

Dois encontros aconteceram em um dia, de acordo com um dos oito relatórios de segurança da Marinha divulgados em resposta a solicitações registradas sob a Lei da Liberdade de Informação por agências de notícias e jornais, incluindo o New York Times.

No mês passado, o Departamento de Defesa autenticou três vídeos de encontros aéreos publicados anteriormente pelo 'Times', acompanhando relatos de pilotos da Marinha que disseram ter tido encontros próximos.

Os incidentes nos vídeos foram investigados por um programa pouco conhecido do Pentágono que, durante anos, analisou relatos de objetos voadores não identificados: o Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais. A existência desse programa foi relatada pela primeira vez pelo Times em dezembro de 2017.

Embora alguns dos encontros tenham sido divulgados publicamente antes, as novas informações obtidas pela Lei da Liberdade de Informação incluem os registros oficiais da Marinha que documentam os incidentes, incluindo descrições dos pilotos sobre o que viram.

Os registros da Marinha, conhecidos como "relatórios de perigo", descrevem detecções visuais e por radar, incluindo chamadas com veículos aéreos ou "sistemas de aeronaves não tripuladas".

Um incidente, em 26 de março de 2014, sobre o Oceano Atlântico, perto de Virginia Beach, Virgínia, envolveu um objeto prateado “aproximadamente do tamanho de uma mala”, rastreado no radar, que passava a 300 metros de um dos jatos, de acordo com o relatório.

'Esfera voadora'

Alguns dos incidentes envolveram esquadrões de combate a bordo do porta-aviões Theodore Roosevelt. Um dos ex-pilotos do F/A-18 Super Hornet, o tenente Ryan Graves, descreveu no ano passado um encontro próximo de Virginia Beach com o que parecia uma esfera voadora envolvendo um cubo, conforme relatado por um colega piloto e depois relatado ao esquadrão oficial de segurança.

O incidente foi documentado em um relatório com poucos detalhes em 27 de junho de 2013, que afirmava que a tripulação da Marinha viu algo passar a cerca de 200 pés de distância no lado direito. Com uma nuvem de fumaça visível saindo da seção traseira, "a aeronave era branca e aproximadamente do tamanho e formato de um drone ou míssil", segundo o relatório.

Nenhuma outra agência estava realizando voos com drones ou lançamentos de mísseis na área naquele momento, informou o relatório. "Veículos aéreos não tripulados representam uma ameaça significativa de colisão no ar", informou o comandante.

Os incidentes não envolveram só esse esquadrão, o Red Rippers do VFA-11, da Estação Aérea Naval de Oceana, na Virgínia. Os documentos mostram que os comandantes levaram eles a sério, alertando para a probabilidade de uma colisão no ar.

Os funcionários do Departamento de Defesa não descrevem os objetos como extraterrestres, e os especialistas enfatizam que geralmente podem ser encontradas explicações terrenas para esses incidentes. Mesmo sem uma explicação terrestre plausível, não é provável que exista uma explicação extraterrestre, dizem os astrofísicos.

Nas entrevistas, cinco dos pilotos envolvidos evitaram especular sobre a origem dos objetos. A Marinha, em seus relatórios, também evitou tais conjecturas.

Três incidentes ocorreram no espaço aéreo de uso exclusivo, o que significa que nenhuma outra aeronave foi autorizada a voar nessa área.

Outro relatório sobre um incidente em 18 de novembro de 2013 expressou alarme. "Devido ao seu tamanho pequeno, muitos objetos são menos significativos visualmente e aparentes ao radar e, portanto, representam um risco significativo de colisão no ar", disse o relatório, usando uma abreviação para sistemas de aeronaves não tripuladas.

Menos de um mês depois, um piloto que tinha certeza de que não havia tráfego em sua área detectou uma pista de radar a uma altitude de 12 mil pés e a menos de 1,6 km de distância. "Ele conseguiu identificar um pequeno retorno visual branco no local da pista do radar", afirmou o relatório.

Um relatório de colisão “quase no ar” de 26 de março de 2014, também em espaço aéreo de uso exclusivo, envolveu duas aeronaves F/A-18E Super Hornet do esquadrão VFA-106. Um piloto se aproximou e relatou ter visto um pequeno objeto metálico prateado do tamanho de uma mala. “O piloto passou a 300 metros do objeto. Não foi possível identificá-lo”, diz o relatório.

'Grave ameaça'

O piloto passou as informações para o Serviço de Controle e Vigilância da Área da Frota local, que havia recebido vários relatórios de avistamento nos últimos meses. "Isso representa uma preocupação significativa de segurança, uma vez que essa aeronave desconhecida foi detectada em uma área de uso exclusivo", afirmou o comandante. "Acho que pode ser apenas uma questão de tempo até que uma das nossas aeronaves F/A-18 tenha uma colisão no ar com um objeto não identificado."

Em 23 de abril de 2014, dois objetos foram rastreados no radar, sem comunicação, e outros dois objetos relativamente pequenos foram observados ao mesmo tempo, voando em alta velocidade na costa da Virgínia, segundo outro relatório. Dizia-se que os eventos representavam "uma grave ameaça à aviação naval".

O incidente mais recente incluído nos documentos não parecia estar relacionado a um objeto voador não identificado. Em 13 de fevereiro de 2019, um balão vermelho foi avistado a 27.000 pés por quatro aeronaves, quando nada deveria estar na área. O relatório concluiu que se tratava de um "balão meteorológico liberado sem notificar os canais apropriados".

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