"Pílula do dia seguinte" poderá ser gratuita em Portugal

A Assembléia portuguesa aprovou nesta quinta-feira uma lei que permite aos médicos prescreverem a chamada "pílula do dia seguinte" a suas pacientes e prevê a distribuição gratuita do anticoncepcional no país.Mas os grupos contra o aborto se mobilizam para tentar condenar a lei como inconstitucional. A lei visa encorajar as mulheres que queiram usar a pílula - já à venda sem prescrição médica nas farmácias pelo equivalente a US$ 3 - a consultarem antes o médico. Os farmacêuticos também estão instruídos a aconselharem as mulheres a buscarem orientação médica antes de utilizarem a pílula. O projeto, apresentado pelos comunistas, os verdes e a esquerda radical, contou com o apoio do governante Partido Socialista, apesar da oposição pessoal ao projeto do primeiro-ministro Antônio Guterres, um católico praticante que se opõe ao aborto. Os parlamentares da oposição de direita votaram contra a lei e a qualificaram como meio de facilitar o "aborto encoberto", já que contradiz o referendo do ano passado - no qual o movimento contra a interrupção voluntária da gravidez obteve ampla maioria. Já os partidos de esquerda sustentam que não se trata de interromper a vida e, sim, de evitar a formação do embrião, e que o objetivo da lei é impedir a gravidez precoce e a proliferação de abortos clandestinos. Depois da Grã-Bretanha, Portugal é o país da União Européia com a mais alta taxa de gravidez precoce, que ocorre em 20 de cada 1.000 adolescentes. O grupo antiaborto Juntos pela Vida disse que pedirá ao presidente, que tem o direito de vetar leis consideradas inconstitucionais, de vetar a lei aprovadanesta quinta-feira.

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