Rainier Ehrhardt/AP
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Pinckney, senador e pastor influente na comunidade desde a adolescência

Líder da comunidade afro-americana de Charleston, na Carolina do Sul, Clementa C. Pinckney, de 41 anos, está entre as vítimas de tiroteio em igreja na cidade 

O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 11h21

CHARLESTON, EUA - O pastor Clementa C. Pinckney, que também é senador estadual da Carolina do Sul e estaria entre as vítimas do tiroteio na Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, no centro da cidade de Charleston, na noite de quarta-feira, começou suas atividades religiosas na comunidade aos 13 anos. Aos 23, foi eleito para a Câmara estadual da Carolina de Sul e tornou-se o mais jovem afro-americano a ser eleito para um legislativo estadual nos EUA.

Pinckney, de 41 anos, nasceu em Beaufort, também na Carolina do Sul, e descobriu sua vocação religiosa muito jovem. Depois de ficar conhecido por seu carisma e seu comprometimento com a igreja, virou pastor aos 18 anos. Em 2010, aos 26 anos, ele se tornou pastor da Igreja Metodista Episcopal Africana em Charleston, onde liderava as seções de oração e de estudos bíblicos.

Membro do Partido Democrata, Pinckney foi eleito para o Senado estadual aos 27 anos depois de um mandato na Câmara da Carolina do Sul. Participou de vários comitês, incluindo o de finanças, bancos e seguros, transporte, assuntos médicos, e punições e penalidades.

Em 1999, a revista Ebony o listou entre os 30 líderes afro-americanos do futuro. Alguns dias antes de se casar, neste mesmo ano, Pinckney disse ao jornal The Savannah Morning News que sua noiva, Jennifer - que ele conheceu na faculdade - tinha sido decisiva na sua decisão de seguir na carreira política.

"Ela é minha principal apoiadora na vida política", disse na ocasião o senador, que teve duas filhas: Eliana e Malana. "De fato, ela foi quem teve o maior impacto na minha decisão de concorrer (ao legislativo estadual). Ela sabe o quanto a política e estar envolvido em ajudar outras pessoas é importante para mim e disse que eu seria um tolo se não disputasse (as eleições)."

Filho de John e Theopia Pinckney, nascido em 30 de julho de 1973, Pinckney se formou na Allen University  em 1995 e concluiu um mestrado em administração pública na Universidade da Carolina do Sul. Ele também se tornou mestre em Divindades pelo Seminário Teológico Luterano do Sul, de acordo com o site da sua igreja.

Na mesma entrevista ao Savannah Morning News, Pinckney expressou sua devoção à igreja, dizendo que o ministério era sua primeira paixão. "Eu vejo tudo que eu faço como uma extensão do ministério", disse o pastor.

Pinckney também era ferrenho defensor do direitos humanos. Uma de suas bandeiras no Senado estadual era a criação de uma lei que obrigasse todos os membros das forças policiais a usarem câmeras corporais para reduzir os casos de abuso e violência policial.

Recentemente, ele vinha tentando atrair atenção para os casos de violência armada contra homens afro-americanos e liderou uma manifestação depois que Walter L. Scott, um negro parado em uma blitz em Charleston, foi morto por um policial branco.

Ele também fazia campanha a favor de Hillary Clinton, pré-candidata à Casa Branca pelo Partido Democrata e uma das favoritas na eleição presidencial de 2016.

Em entrevista à emissora MSNBC, o pastor Joseph Darby, da Igreja Metodista Episcopal Africana de Beaufort, descreveu Pinckney como um homem corajoso. "Ele era um pastor muito atencioso e competente e um homem corajoso", disse Darby. "E homens corajosos algumas vezes morrem em situações muito difíceis." / NYT

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