Piñera abre cúpula Celac-UE pedindo união contra crise

Presidente chileno discursou ontem no início do encontro; direção rotativa do bloco que inclui o Brasil será passada hoje a Cuba

TÂNIA MONTEIRO , ENVIADA ESPECIAL / SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2013 | 02h02

Na abertura da reunião da Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos (CELAC) com a União Europeia, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, defendeu ontem uma "nova aliança estratégica para balizar o futuro" das relações comerciais e pregou a "união de forças" de todos.Piñera não deixou, no entanto, de dar um recado aos europeus, lembrando que eles chegam para a aliança "em meio a uma grande crise".

"Precisamos construir, todos, juntos, o futuro dos nossos países. Esta união é mais do que estratégica, é necessária. É mais do que oportuna, é urgente", discursou Piñera. Ele lembrou que, se a UE chega à cúpula em meio a uma "dolorosa crise", não se pode esquecer que a Europa tem uma economia importante e uma cultura milenar, destacando ainda o sólido compromisso da região com a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos.

O presidente chileno, que passa hoje a direção da CELAC a Cuba, salientou ainda que, juntos, estes 60 países do bloco, representam um terço da economia do mundo. Apenas 43 deles estavam presentes à reunião.

A chegada de Cuba à presidência do bloco é uma incógnita. Diplomatas brasileiros não conseguiam explicar por que Cuba assumirá a presidência pro-tempore da Celac. A tradicional regra de seguir a ordem alfabética dos nomes dos países, na presidência dos blocos, neste caso, não foi cumprida. O regime de Raúl Castro ficará responsável por negociar a aliança estratégica com os 27 países da União Europeia.

Na quinta-feira, a embaixada cubana foi alvo de protestos, liderados por parlamentares da União Democrática Independente (UDI), um dos partidos de direita que integram a coalizão do governo de Piñera.

Eles exigem que Cuba devolva ao Chile os assassinos do senador chileno Jaime Guzmán, morto em 1991, que estão em Havana. Na sexta-feira, em entrevista, o presidente Piñera chegou a declarar que vai pedir maior colaboração ao governo de Cuba para avançar na detenção dos assassinos de Guzmán.

Brasil. A presidente brasileira, Dilma Rousseff, não discursou no encontro. Mas, mais cedo, ao se reunir com o presidente chileno, no Palácio La Moneda, Dilma Rousseff defendeu a necessidade de os países da região se unirem para enfrentar a crise "lançada" ao mundo "pelos países desenvolvidos".

Pouco antes, Dilma havia se reunido com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner e com a chanceler alemã, Angela Merkel. À saída do encontro, Cristina afirmou à imprensa que os países do Mercosul só começarão a trabalhar em busca de uma proposta de aliança comercial com a UE depois das eleições presidenciais do Paraguai, em abril. O Paraguai está suspenso do Mercosul desde junho do ano passado, quando os países do bloco excluíram o parceiro, alegando que a destituição do então presidente Fernando Lugo pelo Congresso local não teria sido legítima.

Por considerar o Paraguai muito importante no bloco, Kirchner avisou que, somente após a eleição, com um novo presidente no país, a integração com a UE voltará a ser discutida.

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