Piñera acusa Bachelet de interferir em eleição no Chile

A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, a direita denunciou ontem a "interferência abusiva" da presidente Michelle Bachelet no processo eleitoral. "A campanha de intervenção que o governo está fazendo não é justa, não é limpa", disse o candidato direitista Sebastián Piñera, a uma rádio local. "O governo usou e abusou de recursos públicos, das instituições e dos funcionários públicos (nessa campanha)."

AE, Agencia Estado

16 de janeiro de 2010 | 09h02

A participação de Bachelet na campanha é uma tentativa transferir sua aprovação de 81% para o candidato da Concertação. Na quinta-feira, Bachelet disse que votaria no candidato governista Eduardo Frei por considerá-lo uma pessoa "honesta", já que quando foi presidente, em 1994, "soube separar negócios e política". A declaração foi vista como uma crítica a Piñera, um empresário milionário, dono de parte da companhia aérea Lan Chile, de uma rede de TV e do time de futebol Colo-Colo. A questão, segundo alguns analistas, é que, apesar de ter prometido vender sua participação na Lan Chile, Piñera continua entre os controladores da companhia e está lucrando com sua valorização na bolsa.

Piñera venceu o primeiro turno com 44% dos votos e até agora estava confiante na vitória (Frei obteve 29%). Mas na terça-feira, uma pesquisa do Instituto Mori indicou um aumento no número de eleitores que pretendem votar no candidato governista. Segundo o levantamento, Frei teria 49,1% das intenções de voto e Piñera 50,9%, uma diferença de cerca de 200 mil votos. Além disso, Marco Enríquez-Ominami, terceiro colocado no primeiro turno, com 20% dos votos, declarou seu apoio a Frei. "Por causa desses dois acontecimentos o cenário eleitoral agora é bastante incerto'', disse ao Estado o analista político David Altman, da Universidade Católica do Chile. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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