REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Piñera conquista maior bancada no Congresso chileno, mas não terá maioria

Coalizão liderada pelo ex-presidente deve ficar com 19 dos 43 senadores e 72 dos 155 deputados, mas não terá maioria em nenhuma das duas Câmaras; outras vagas do Congresso serão atribuídas aos diferentes setores da esquerda

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 11h49

SANTIAGO - A coalizão de direita Chile Vamos, liderada por Sebastián Piñera, elegeu a maior quantidade de representantes para o Legislativo nas eleições de domingo, mas não conseguiu conquistar a maioria em nenhuma das duas Câmaras.

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Piñera, que governou o país de 2010 a 2014, ficou em primeiro na votação presidencial com 36,6% dos votos, seguido pelo candidato governista Alejandro Guillier, que teve com 22,7% dos votos. Os dois disputarão o segundo turno em 17 de dezembro.

Na primeira eleição chilena com um sistema proporcional, que substituiu o "binomial" herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), a coalizão de Piñera deve ficar com 19 dos 43 senadores. 

Já na Câmara, que renovou todos os seus 155 membros, a Chile Vamos somou 72 legisladores, de acordo com o último boletim de apuração disponibilizado pelo Serviço Eleitoral.

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Aos resultados da coalizão de direita, deve se somar mais um senador e um deputado, eleitos pelo grupo "Por todo Chile", que apoiou o candidato conservador José Antonio Kast, mas que já anunciou que se unirá a Piñera nas votações no Legislativo.

As outras vagas do Congresso serão atribuídas aos diferentes setores da esquerda. A coalizão governista, que apoiou Guillier - incluindo socialistas e comunistas -, deve ficar com 14 cadeiras no Senado e 43 deputados. A Democracia Cristã, até agora membro da coalizão de Bachelet, obteve 6 senadores e 14 deputados.

Mais à esquerda, a Frente Ampla, da candidata Beatriz Sánchez - terceira colocada na disputa presidencial -, celebrou a obtenção de sua primeira cadeira no Senado e de 20 vagas na Câmara em sua primeira eleição. O grupo foi formado em março.

A ascensão da Frente Ampla, uma coalizão de pequenos partidos lideradas por parte dos ex-líderes dos protestos estudantis de 2011, "é o maior tremor que a política chilena teve desde o retorno à democracia", afirmou Mauricio Morales, cientista político da Universidad de Talca.

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Fracasso das cotas

Outro marco histórico dessas eleições foi a imposição de uma lei de cotas que obrigava os partidos a assegurar que pelo menos 40% de candidatas mulheres nas listas legislativas.

Esses 40%, no entanto, não serão refletidos no resultado final do Legislativo, onde os homens permanecem como maioria absoluta dos eleitos em ambas as câmaras.

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No Senado, devem ocupar as cadeiras em disputa 18 homens e 5 mulheres. Diferença que deve se repetir entre os deputados, onde as mulheres devem ocupar 38 lugares em comparação com os 117 assentos que seriam ocupados por homens. / AFP

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