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Piñera inicia campanha como favorito no Chile

Bilionário que governou país entre 2010 e 2014 lança candidatura para eleição de novembro; país é conhecido por devolver poder a ex-presidente

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2017 | 20h27

SANTIAGO - O ex-presidente do Chile Sebastián Piñera (2010-2014) lançou ontem sua candidatura à presidência em um evento no Parque Quinta Normal, em Santiago. Cercado por um forte aparato de segurança e falando a correligionários da coalizão conservadora Chile Vamos, o empresário delineou suas principais promessas de campanha para as eleições marcadas para o dia 19 de novembro.

De acordo com as pesquisas mais recentes, Piñera larga como favorito. O candidato conservador aparece com 29% das intenções de voto em uma sondagem do instituto Adirmak, divulgada no dia 6. Na segunda posição, com 25%, está o senador Alejandro Guillier, que disputará as primárias da coalizão de centro-esquerda Nova Maioria, a mesma da presidente Michelle Bachelet. O também ex-presidente chileno Ricardo Lagos (2000-2006) surge em uma distante terceira posição, com 4%. 

Tido como um dos homens mais ricos do país, Piñera foi presidente justamente após o primeiro mandato de Bachelet. O empresário já está em campanha extraoficial há cerca de um ano, tentando se aproveitar dos baixos índices de aprovação da presidente Bachelet e da tradição chilena de devolver o poder para ex-ocupantes do Palácio de La Moneda. 

Ontem, em seu primeiro discurso como candidato, Piñera anunciou oficialmente que aceita participar das primárias do partido de centro-direita, algo que é tratado como uma mera formalidade. A votação das prévias ocorrerá no próximo dia 2 de julho, quando Piñera deve enfrentar o senador Manuel José Ossandón e o deputado Felipe Kast.

 

O que pode atrapalhar a caminhada de Piñera, no entanto, é uma ação judicial que ele enfrenta por suposto uso de informação privilegiada na compra de uma empresa de pesca peruana durante o litígio marítimo entre os dois países na Corte Internacional de Haia. 

Família. Bachelet reagiu de forma exaltada após ser questionada sobre o vínculo de sua filha Sofía Henríquez com um negócio imobiliário de compra de terrenos no norte do país. “Deixem minha filha em paz, ela não tem nada a ver com isso. Essa foi uma decisão minha”, afirmou a presidente do Chile em uma entrevista coletiva na segunda-feira. 

No domingo, o jornal La Tercera afirmou que Sofía é proprietária de uma área de meio hectare próxima a uma mina que não possui as licenças ambientais necessárias para funcionar, na região de La Higuera. Segundo o jornal, a recusa em fornecer a licença poderia influenciar o valor dos terrenos próximos. 

A mina Dominga fica a 12 quilômetros do terreno e extrairia cobre e ferro. “Não há nenhum negócio nisso, era algo recreativo”, afirmou Bachelet, explicando que foi ela quem comprou os terrenos da área de meio hectare por cerca de US$ 10 mil e presenteou a filha.

O escândalo, conhecido há dois anos, derrubou a popularidade da presidente aos índices mais baixos desde o retorno da democracia com o fim da ditadura de Augusto Pinochet. Atualmente, a aprovação de Bachelet está em 23%. / REUTERS, EFE e AP

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