Piñera promete leis para evitar novos acidentes

Mina San José será convertida em monumento

Patrícia Campos Mello ENVIADA ESPECIAL COPIAPÓ / CHILE, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

O presidente Sebastián Piñera afirmou ontem que vai sugerir novas regras de segurança para as minas do Chile e aumentar o orçamento do ministério da Mineração. "Para ser um país desenvolvido, precisamos tratar nossos trabalhadores como fazem os países desenvolvidos", disse Piñera, depois de visitar os 33 mineiros no hospital de Copiapó.

O acidente da mina San José intensificou as críticas às condições de segurança nas minas. Desde 2000, uma média de 34 pessoas morrem todo o ano por causa de acidentes em minas. Em 2008, foram 48 mortes.

O governo, porém, não pode adotar regras que prejudiquem de forma importante o setor de mineração, já que o cobre corresponde a quase 50% das exportações do Chile e a atividade é uma das que mais emprega chilenos.

Com um longo histórico de problemas, a mina San José, em atividade há 125 anos, ficará fechada para sempre, prometeu Piñera ontem. O presidente chileno também disse que os responsáveis pelo acidente "não ficarão impunes". As famílias de 27 dos 33 mineiros estão processando a empresa dona da mina por negligência.

O ministro do interior, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que o governo intensificará as fiscalizações de minas. Depois do acidente, Santiago estabeleceu uma comissão para avaliar a segurança desse tipo de instalação. Desde então, já foram fechadas 18 minas pequenas, tipicamente as mais perigosas.

Sindicalistas, contudo, estão céticos. O secretário-geral do sindicato da mina San José, Javier Castillo, lembrou que o Chile ainda não ratificou o convênio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a segurança de minas. Uma pesquisa realizada pelo instituto Imaginacción mostrou que 57% dos chilenos acham que os empresários se esquecerão do episódio e a segurança não melhorará.

Memória. Piñera prometeu ontem que o acampamento Esperança será transformado em um memorial. Segundo ele, o acampamento em si e objetos, como a cápsula Fênix 2 e o bilhete em que se lia "estamos bem, no refúgio, os 33" devem permanecer preservados.

O governo estuda também transformar o local da mina em um monumento nacional. Ontem, o cenário no acampamento Esperança era melancólico. Durante o resgate, mais de 2,5 mil pessoas, entre familiares dos mineiros, socorristas e jornalistas, se aglomeravam no local - a mina ficou praticamente deserta.

País da mineração

34 chilenos

morrem por ano em minas. Em 2008, foram 48 mortos

50%

dos empregos do país estão no setor minerador

21%

das reservas de cobre do mundo estão no Chile

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