Piñera testemunha resgate ao lado de Evo

Presidente chileno lembra que esteve com os operários 'desde o início', enquanto seu colega boliviano promete casa e emprego a compatriota

, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 00h00

COPIAPÓ / CHILE

Às 15h44 de ontem, um helicóptero aterrissou na mina San José com a peça que faltava para o resgate dos 33 mineiros ser finalmente autorizado, após 69 dias de espera. Da aeronave, não saiu nenhum equipamento especial. A espera era por Sebastián Piñera, o presidente cuja popularidade subiu desde 5 de agosto, dia em que um desmoronamento isolou os operários.

Uma pesquisa indica que 75% dos chilenos aprovaram a atuação do presidente no caso. Tão logo pisou a região, Piñera ressaltou que uma promessa havia sido cumprida. "Os chilenos disseram que não desistiriam. E cumprimos", afirmou, cercado de microfones. A primeira visita de Piñera ao acampamento foi em 7 de agosto, quando interrompeu uma visita à Colômbia para apoiar as equipes de resgate e as famílias que começavam a se instalar no local, ainda sem saber que todos estavam vivos. Em 22 de agosto, logo após a perfuração alcançar o local em que o grupo seria encontrado, coube ao presidente mostrar o bilhete com a inscrição "estamos bem, no refúgio, os 33".

Ontem, quando Piñera voltou ao acampamento - desta vez acompanhado da primeira-dama, Cecilia Morel -, a estrutura de resgate já estava pronta. Segundo técnicos que trabalharam na escavação, a remoção do grupo seria possível desde o início do dia, em caso de urgência. Faltava o presidente, que em várias ocasiões usou o caso para pregar a união dos chilenos.

Piñera visitava o Equador quando recebeu a informação de que havia condições para a retirada dos mineiros. Ao aterrissar no Chile, pediu que todas as igrejas do país tocassem seus sinos no instante em que o primeiro mineiro fosse retirado. Depois de vistoriar o hospital e o local em que os operários encontrarão a família, o presidente fez um discurso retransmitido ao vivo pela CNN e pelos principais canais de televisão do Chile. Nele, elogiou o trabalho dos resgatistas, prometeu dar "todo o apoio às famílias" e lembrou estivera ali logo depois do desabamento. Após o acidente, Piñera destituiu o responsável pela segurança nas jazidas chilenas e ordenou o fechamento de dezenas de minas.

Evo promete emprego. Antes chegar à mina San José, onde acompanharia a saída do compatriota Carlos Mamami, o presidente boliviano, Evo Morales, prometeu dar-lhe um emprego levá-lo "de volta para casa". "Aqui temos tudo garantido, uma fonte de trabalho e um terreno para construir sua casa", disse Evo. Verónica, a mulher de Mamami - único estrangeiro e o terceiro na ordem de resgate -, considerou ontem o retorno à Bolívia incerto. / RODRIGO CAVALHEIRO. COM AFP E AP

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