Pinochet deverá aceitar ser fichado na polícia

O general Augusto Pinochet, processado por encobrir 75 homicídios, deverá aceitar o que seguramente jamais imaginou: ser fotografado de frente e de perfil e marcar suas impressões digitais em uma ficha policial.Embora Pinochet esteja à espera de ser prontamente libertado sob fiança, ele não poderá evitar o trâmite policial de ser fichado - o que "é obrigatório para todos os delinqüentes no Chile", afirmou nesta terça-feira o advogado de acusação Eduardo Contreras. Normalmente, os réus são transportados, com as mãos e os pés algemados, em um furgão da polícia até a sede de uma das delegacias centrais, onde são fotografados de frente e de perfil com um número de identificação no peito. Antes, devem molhar os dedos com tinta preta para deixar na ficha suas impressões digitais. É mais provável, no entanto, que os funcionários encarregados desse procedimento se dirijam à casa de campo do general em Los Boldos, a 140 km a sudoeste de Santiago, para fazerem a ficha de Pinochet. "A identificação do general Pinochet será feita na medida em que as circunstâncias o permitam e quando for procedente fazê-lo", declarou hoje Miguel Schweitzer, um dos advogados de Pinochet. Contreras disse que o fichamento é inevitável e que é uma das diligências pedidas pelos sete acusadores; eles já conseguiram que Pinochet fosse indiciado por 57 homicídios e 18 seqüestros de opositores cometidos por uma comitiva militar, denominada Caravana da Morte, em outubro de 1973. Depois que na última quinta-feira o tribunal rebaixou de "autor" para "acobertador" o nível de envolvimento de Pinochet no caso da Caravana da Morte, o juiz que o processou, Juan Guzmán, concedeu-lhe na segunda-feira liberdade provisória mediante o pagamento de uma fiança equivalente a US$ 3.450. A libertação do general deve ser ratificada, provavelmente amanhã, pela 5ª Sala da Corte de Apelações.Analistas acreditam que o ex-ditador ficará livre, com o que poderá - se assim o desejar - deixar sua casa de campo, onde permanece há 41 dias em prisão domiciliar.

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