Pinochet diz que se considera um "anjo patriótico"

O ex-general Augusto Pinochet afirmou que não se considera um ditador, mas um "anjo patriótico" que não tem que pedir perdão a ninguém. Em entrevista ao canal 22 WDLT da tevê americana, Pinochet disse também que não tem que pedir desculpas pelo que houve durante o regime militar que encabeçou e que, pelo contrário, seus opositores é que devem pedir-lhe perdão. A entrevista marcou os 88 anos de Pinochet, completados hoje."Eu me considero um anjo... Refletindo e meditando, sou bom", disse Pinochet na entrevista, durante a qual reiterou sua negativa de pedir perdão pelas violações dos direitos humanos cometidas durante seu regime (1973-90). O ex-ditador também negou ter ordenado assassinatos, e disse que quem deveria pedir perdão são aqueles que tentaram matá-lo em 1986, durante um atentado do qual saiu ileso.Pamela Pereira, advogada de direitos humanos, assinalou que a entrevista confirma que o ex-governante nunca esteve demente, ao contrário do que determinou a Corte Suprema, ao livrá-lo de um julgamento pelo assassinato de 75 prisioneiros. "Nunca foi louco, foi apenas uma artimanha jurídica?, disse a advogada.Até um dos filhos do general criticou a entrevista. "Creio que não foi bom ter concedido esta entrevista... O tempo passou, meu pai agora é um ancião, e mamãe também. Levavam uma vida tranqüila. Não encontro sentido em mexer em ódios passados", afirmou Marco Antonio Pinochet.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.