Pinochet é notificado de prisão

Enquanto oficiais de Justiça notificavam o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em sua casa de campo, da decisão do juiz Juán Guzmán de mantê-lo sob prisão domiciliar, dezenas de manifestantes pinochetistas protestavam hoje na frente do Edifício das Forças Armadas, no centro de Santiago, contra o que qualificaram de "omissão" do Exército na defesa de seu ex-comandante. O principal alvo dos manifestantes foi o comandante-chefe das Forças Armadas, general Ricardo Izurieta, cujo gabinete se localiza no alto do edifício."Izurieta, Izurieta, que o Exército se meta", era um dos slogans preferidos dos pinochetistas, que também insultavam o chefe do Exército aos gritos de "Izurieta, Izurieta, teu nome é gallineta (galinha pequena, em espanhol)" e "Izurieta traidor, entregaste o senador". Na condição de ex-presidente, Pinochet é membro vitalício do Senado chileno, mas perdeu a imunidade decorrente do cargo, por decisão judicial.Até hoje à tarde, as Forças Armadas chilenas não se tinham pronunciado sobre a decisão do juiz Guzmán de ordenar a prisão domiciliar de Pinochet e processá-lo como autor intelectual e cúmplice dos 75 assassinatos e desaparecimentos políticos ocorridos em outubro de 1973, semanas depois de a junta militar liderada por Pinochet ter tomado o poder. Os crimes foram cometidos na chamada Caravana da Morte, quando um grupo de militares saiu eliminando opositores do regime.Uma declaração do comandante da Marinha chilena, almirante Jorge Arancibia, ao jornal de Santiago La Segunda, porém, quebrou o silêncio sobre o caso. "Quem semeia vento colhe tempestade", advertiu Arancibia.

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