Pinochet não merece funeral de Estado, diz ministro

O ministro do Interior chileno, Belisario Velasco, disse nesta segunda-feira que Augusto Pinochet foi um "clássico ditador de direita que violou os direitos humanos" e não corresponde realizar um funeral de Estado. "Pinochet vai a passar para a história como um ditador, como o clássico ditador de direita que violou gravemente os direitos humanos e que enriqueceu. Essa foi a tônica dos ditadores de direita na América Latina", disse Velasco aos jornalistas. O chefe do gabinete ministerial da presidente chilena, Michelle Bachelet, justificou assim a decisão do governo de não oferecer honras de Estado para Pinochet, que morreu em Santiago aos 91 anos devido a problemas cardíacos. "O governo considera que (Pinochet) não cumpria os requisitos necessários para oferecer um funeral de Estado", disse, ao responderas críticas dos partidários do ex-ditador, que reprovaram essa decisão do Executivo. Também ressaltou que "não há nenhuma disposição legal que fixe a realização de um funeral. São levadas em conta outras considerações como, por exemplo, a unidade ou divisão que a figura da pessoa quecorrespondia causa nos chilenos. E, neste caso preciso, não há unidade entre os chilenos em tornoda figura do general Pinochet", afirmou. "Pelo contrário, é uma pessoa que foi processada em váriasoportunidades, que tinha processos pendentes, que tinha perdido a imunidade devido a graves violações dos direitos humanos, por crimes de enriquecimento ilícito", acrescentou.No entanto, o ministro afirmou que Pinochet é reconhecido por sua carreira militar, por isso determinou-se que haja "as honras correspondentes a um militar e um comandante-em-chefe do Exército". Ele confirmou também que a ministra da Defesa chilena, Vivianne Blanlot, irá ao funeral representando o governo. Família rejeita representantesAntes, Marco Antonio Pinochet, filho mais novo do ex-governante, expressara seu desejo que de ninguém do governo assistisse ao funeral, previsto para terça-feira. "Espero que, por respeito a minha família, o governo não participe, que as pessoas que gostavam dele venha ao funeral, mas não quero atos hipócritas, por respeito a minha mãe e a minha família", disse o caçula da família Pinochet.Velasco disse que a figura do general Pinochet não une os chilenos, o que ficou refletido nas manifestações, tanto de pesar como de comemoração por sua morte.

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