Pinochet não passa por segunda cirurgia, diz porta-voz

O ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que sofreu um ataque cardíaco na madrugada deste domingo e foi internado às pressas no Hospital Militar de Santiago, no Chile, não está sendo submetido a uma segunda cirurgia, segundo noticiou a agência Reuters. "Desminto que seja uma segunda operação de coração. É apenas uma revisão de todos os procedimentos que foram realizados neste manhã, conforme acaba de me revelar o diretor do hospital", disse à Reuters o general Guillermo Garín, amigo e porta-voz de Pinochet. "Não há nenhuma operação envolvendo um ´bypass´, segundo estão dizendo por aí", acrescentou. De acordo com o jornal chileno La Tercera, Pinochet está sendo submetido, na tarde deste domingo, a uma intervenção que vai determinar a forma como está evoluindo a angioplastia que realizou pela manhã. A partir dos resultados dos exames, diz o veículo, "segundo informações extra-oficiais", será tomada uma decisão a respeito do que procedimento que deverá ser aplicado.Os médicos temem que, se os resultados forem negativos, seja necessário realizar uma cirurgia com o coração aberto, o que seria um risco para Pinochet devido a seu delicado estado de saúde e seus antecedentes.A mídia internacional noticiou anteriormente que os médicos realizariam, a partir das 15 horas, o procedimento conhecido como ´bypass coronário´: introduziriam no coração um vaso sanguíneo que seria uma espécie de ponte e deveria solucionar a obstrução de uma artéria coronária do ex-ditador.O porta-voz da família Pinochet, Garín, afirmou que Pinochet já recebeu a unção dos enfermos - sacramento reservado a quem está perto de morrer. Pinochet foi acometido nos últimos anos por diversos problemas de saúde, derivados de diabetes, problemas vasculares e outras doenças crônicas de que sofre. Microinfartos cerebrais e complicações vasculares, entre outras enfermidades, obrigaram o ex-ditador a visitar várias vezes o hospital em 2005, ainda que em 2006 não tenha tido problemas desse tipo.Prisão domiciliarEm 27 de novembro, o juiz Víctor Montiglio ordenou a detenção de Pinochet pelo seqüestro e homicídio de Wagner Salinas e Francisco Lara, dois dissidentes detidos e executados no fim de setembro de 1973 por membros da "Caravana da Morte", um grupo militar que, na época, executou 75 presos políticos em sua passagem por várias cidades do Chile.Depois disso, Pinochet divulgou uma carta pública, lida por sua esposa, em que assumia a "responsabilidade política" de seus atos, mas na qual reiterava que tudo o que fez foi "por amor à pátria".Matéria ampliada às 18h45

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