Pior cenário: uma nova Somália no Norte da África

O coronel Muamar Kadafi fez uma advertência estrondosa, exortando seus minguantes seguidores à guerra civil. "No momento apropriado, abriremos os depósitos de armas para que todos os líbios e tribos sejam armados", vociferou num microfone portátil no entardecer de sexta-feira. "Para que a Líbia fique vermelha em chamas!"

Neil MacFarquhar, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

O pior cenário se a rebelião derrubar Kadafi - que preocupa autoridades antiterrorismo americanas -, seria o de um Afeganistão ou uma Somália. Mas há outros que poderiam ocupar um vácuo, incluindo tribos poderosas ou uma coalizão pluralista de forças de oposição que estão apertando o cerco perto da capital. Os otimistas esperam que a deliberação da oposição persista; os pessimistas temem que a unidade só dure até Kadafi partir.

O maior medo - e um sobre o qual os especialista divergem - é que a Al-Qaeda ou grupos islâmicos da própria Líbia, que suportaram uma feroz repressão e podem ter as melhores habilidades organizativas entre a oposição, possam chegar ao poder.

Para responder às ameaças de que após os Kadafi virá um dilúvio islâmico ou tribal, Mustafa Mohamed Abud al-Jeleil, o ministro da Justiça que fugiu para o Leste, realizou um fórum na semana passada. "Nós só queremos um país - não há nenhum emirado islâmico ou a Al-Qaeda em parte alguma", disse Abud al-Jeilel à televisão Al-Jazira. "Nosso único objetivo é libertar a Líbia e permitir que as pessoas escolham o governo que quiserem." / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É CORRESPONDENTE DO "NYT" NO CAIRO

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