Pior enchente em 60 anos afeta milhares na Grã-Bretanha

Governo alerta população atingida, já sem água nem luz, de que estado de emergência ?está longe do fim e pode piorar?

AP, Londres, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2007 | 00h00

Centenas de milhares de pessoas estavam ontem sem água potável e eletricidade no centro-oeste da Inglaterra, em meio às piores enchentes do país em 60 anos. O secretário do Meio Ambiente da Grã-Bretanha, Hilary Benn, alertou que a emergência "está longe do fim e as enchentes devem piorar". Até a noite não havia feridos ou mortos.O governo emitiu nove alertas críticos de enchentes, enquanto meteorologistas alertavam que a o pico das enchentes será atingido hoje ou amanhã. O mês de julho registrou até agora o dobro do índice normal de chuvas para a época. O Rio Severn estava cinco metros acima do nível normal e poderia transbordar ainda ontem. O Rio Tâmisa também preocupava as autoridades.As regiões mais afetadas pelas chuvas torrenciais nos últimos dias foram Gloucestershire, Herefordshire, Worcertershire, Tewkesbury, Cheltenham e Oxfordshire, onde milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Equipes de resgate usaram helicópteros e lanchas para resgatar mais de 120 pessoas que ficaram ilhadas. A companhia de abastecimento de água Severn Trent alertou que pelo menos 350 mil casas em Gloucestershire ficariam ontem sem água potável, uma vez que as enchentes forçaram o fechamento da estação de tratamento. A suspensão do abastecimento deve durar duas semanas. Além disso, 45 mil casas ficaram sem energia elétrica. Em Cheltenham, as autoridades locais pediram que a população limitasse o consumo de água, uma vez que a cidade tinha, na noite de ontem, capacidade para apenas mais 20 horas de abastecimento. Mais de 150 mil garrafas de água foram distribuídas na região e caminhões-pipa foram enviados para ajudar a população. As enchentes também afetaram o complexo de armas nucleares (AWE) em Burghfield, responsável pela montagem final de armas atômicas. Funcionários do local realizaram testes e disseram que não houve vazamento de material radioativo do complexo. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, visitou ontem Gloucestershire e prometeu mais verbas para melhorar os sistemas de drenagem. "O que vimos aqui foi a quantidade de chuva de um mês cair em poucas horas, o que colocou enorme pressão sobre os serviços de emergência. Como qualquer país industrializado, estamos aprendendo a lidar com as conseqüências das mudanças climáticas", afirmou Brown, que se reuniu com o comitê de emergência do governo. O premiê rebateu ainda as críticas feitas à atuação da Agência de Meio Ambiente do governo na crise. "Acho que os serviços de emergência fizeram um ótimo trabalho", disse. O secretário de Meio Ambiente ressaltou que o orçamento da agência subiu de 300 milhões de libras (US$ 617 milhões) para 600 milhões (US$ 1,23 bilhão) nos últimos 10 anos. Além disso, Benn afirmou que 90% das barreiras contra enchentes estavam em boas condições. "Elas foram planejadas para agüentar até um certo limite", explicou o secretário. As chuvas torrenciais também terão um forte impacto na produção agrícola do país, que deve enfrentar uma alta nos preços. Companhias de seguros disseram ontem que custos dos estragos devem chegar a centenas de milhões de dólares.

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