Kyodo/Reuters
Kyodo/Reuters

Pior tufão no Japão em 7 anos causa 34 mortes e deixa 56 desaparecidos

Tufão 'Talas'chegou no país neste sábado e deixou um rastro de destruição no litoral japonês

Efe

05 Setembro 2011 | 12h36

TÓQUIO - Pelo menos 34 pessoas morreram, 56 estão desaparecidas e milhares permanecem isoladas após a passagem pelo centro e sul do Japão do potente tufão "Talas", o mais destruidor dos últimos sete anos a passar pelo arquipélago, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira pela emissora pública japonesa "NHK".

 

O "Talas" tocou a terra neste sábado na ilha de Shikoku e avançou pelo oeste com chuvas torrenciais e ventos de até 108 km/h, até se afastar lentamente nesta segunda-feira rumo ao norte pelo Mar do Japão já transformado em tempestade tropical.

 

Em sua passagem, levou pela frente infraestruturas, transbordou rios e causou inúmeros deslizamentos de terra nas áreas litorâneas, onde as equipes de resgate trabalham para tentar restaurar as vias interrompidas para chegar aos locais mais remotos.

 

1,8 mil milímetros

 

Na península ocidental de Kii, ao sul de Osaka e onde fica a província de Wakayama, uma das mais afetadas, as precipitações registradas durante estes dias chegaram a deixar o recorde histórico de 1.800 milímetros e provocaram muitos desmoronamentos.

 

Nesta região foi determinada a retirada de mais de 16 mil moradores, enquanto as autoridades orientaram outras 30 mil a deixar suas casas diante do perigo de avalanches e inundações.

 

De acordo com os números divulgados pelo "NHK", só em Wakayama as autoridades confirmaram nesta segunda-feira a morte de pelo menos 15 pessoas e o desaparecimento de 27, todas por razões vinculadas ao "Talas".

 

Nas províncias de Wakayama, Nie e Nara o tufão deixou 194 mil casas sem eletricidade e provocou o corte de 36 mil linhas telefônicas, segundo dados das empresas provedoras divulgados pela "Kyodo".

O tufão mantém ainda em alerta máximo cerca de 20 das 47 províncias do Japão, incluindo Tóquio, informou a Agência Meteorológica japonesa.

 

Esforço

 

Policiais e bombeiros se esforçavam nesta segunda-feira para alcançar áreas nas quais se calcula que haja 3.600 pessoas isoladas, segundo a agência "Kyodo", enquanto as emissoras de televisão mostravam imagens de bairros inteiros inundados e veículos arrastados pelas águas.

 

Na cidade de Tanabe, a segunda maior de Wakayama, um deslizamento de terra destruiu três casas, matou uma pessoa e deixou sete desaparecidas, enquanto no povoado vizinho de Nachi Katsuura, as equipes de emergência encontraram um corpo afogado no interior de um carro.

 

A maioria das vítimas perdeu a vida em decorrência de deslizamentos de terra e barro ou pela força das águas, que arrastaram veículos e inundaram cerca de 13.500 casas, segundo o "NHK".

 

Premiê

 

O novo primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, insistiu que será feito todo o possível "para resgatar as pessoas e procurar os desaparecidos", depois que seu governo se viu obrigado a criar neste domingo à noite um gabinete de crise diante dos estragos do tufão.

 

O "Talas" representa um dos primeiros desafios à gestão de Noda, depois que assumiu o poder na sexta-feira passada após a renúncia de Naoto Kan, muito criticado exatamente por seu modo de tramitar a tripla catástrofe do terremoto, o tsunami e a crise nuclear de março passado.

 

O Japão sofre com a passagem de tufões com relativa frequência, embora raras vezes com tanta virulência como a exibida neste fim de semana após a passagem do tufão, o 12º da temporada.

 

Os prejuízos causados pelo "Talas" são os piores que o arquipélago sofre desde outubro de 2004, quando o "Tokage" causou 98 mortes e danos milionários no país asiático.

 

Embora em uma escala muito menor, o tufão é a primeira catástrofe natural que necessitou do desdobramento de equipes de emergência no Japão após o devastador terremoto de março no nordeste do país, uma região que desta vez não sofreu consequências da tragédia climática.

Mais conteúdo sobre:
Japão Tufão Talas mortes desaparecidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.